A autoconsciência e a sustentabilidade humana no ambiente de trabalho.

A autoconsciência e a sustentabilidade humana no ambiente de trabalho.

A autoconsciência é a consciência de nós mesmos e de como somos vistos pelas outras pessoas. É a capacidade de perceber nossas emoções com nitidez, tendo ciência de que elas desencadeiam diferentes sentimentos que precisamos entender, nomear, acolher, para termos discernimento de escolher como lidar com as situações. Só quando temos consciência dos nossos sentimentos e valores é que conseguimos compreender o outro. 

A psicóloga organizacional Tasha Eurich, entrevistou cinco mil pessoas em seu programa de pesquisa, durante quase cinco anos, e descobriu que, embora 95% das pessoas acreditassem ser autoconscientes, apenas algo entre 10 e 15% realmente eram. Esse é um aspecto importante para o desempenho no trabalho, o sucesso na carreira e a eficácia na liderança. Hoje, mais do que nunca, sua existência no ambiente de trabalho é fundamental e se mostra impressionantemente escassa, afirma a pesquisadora. 

As emoções são informações valiosas, pois nos permitem ponderar as decisões, ter um olhar para a nossa condição e dizer: não vou decidir agora pois estou frustrado, com medo ou com raiva. Quando conseguimos nomeartrazemos para consciência. Fazer isso é dar a oportunidade para o nosso cérebro ponderar e tomar decisões melhores.  

Ter uma maior compreensão do mundo interno ajuda a desenvolver a capacidade de criar estratégias melhores para lidar com os diversos contextos e cenários desafiadores. Caso contrário, podemos nos sentir como se estivéssemos “dentro de uma panela de pressão”. 

Abraçar nossa vulnerabilidade e nos colocar no lugar do aprendiz é um caminho para redescobrir nossas relações e todos os nossos papéis – inclusive a nossa influência nas organizações. As exigências deste momento são um convite a renovar nossa disposição e curiosidade em fazer diferente, partindo de perguntas, questionamentos e do cultivo da escuta profunda, quebrando a necessidade de ter respostas prontas para tudo. Oportunidade de se abrir para o novo, ouvir sem julgar e nos colocar no lugar do “não saber”, sem crítica e sem julgamento mas com a disposição genuína de cocriar caminhos e práticas que permitam que os valores realmente importantes estejam presentes.  

Podemos deixar de ser EGO (com nossos conceitos e preconceitos a partir de um único ponto de vista) para ser ECO (com a expansão do foco, da atenção e da conexão)Uma presença mais intensa nos permite acessar as outras pessoas, nos colocando em igualdade, abrindo para uma atuação participativa e não hierárquica, onde o foco está na construção de organizações melhores e de um mundo mais justo e solidário. 

Nesse caminho, podemos libertar algemas para atender a novos chamados que ajudam a construir uma sociedade melhor para todos. Libertar pela abertura para escutar e aprender com a sabedoria que emerge quando estamos conectados para ampliar caminhos e possibilidades de ser, interagir, sincronizar e transformar”, como explica Brené Brown. Essa é uma libertação das opiniões das “algemas forjadas pela mente”, segundo William Blake. 

Você tem feito algo, ou poderia fazer, para buscar a autoconsciência e contribuir com a sustentabilidade humana no seu espaço de trabalho? 

Referência da pesquisa:  

https://hbrbr.com.br/como-trabalhar-com-pessoas-sem-autoconsciencia/ 

 

 Miriam

Miriam  Lamana, Psicóloga com mais de 28 anos de vivência em organizações, com MBA em Gestão e Finanças e especializações em Coaching e desenvolvimento humano. 

Na ASEC desde 2012, como monitora na capacitação de professores no desenvolvimento de competências socioemocionais e na coordenação das atividades em São Paulo. 

Contato: miriam.lamana@asecbrasil.org.br 

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