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Mãe, o que é ter problema?

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A pergunta que há muito tempo temia, chegou até mim. E agora? Alguns devem estar se perguntando. Esta não é uma pergunta simples e fácil de ser respondida.

Acredito ser dos momentos doloridos que já vivi. Ao mesmo tempo que ingênua, parecendo sem sentido, a pergunta está carregada de muita dor, dúvidas e angústias.

– Mãe, eles me chamam de feio, falam que falo tudo errado e que tenho problema. Me diz o que é ter problema, mãe?

Meu coração disparou, quanta dor embutida em poucas palavras, o choro veio com força total, precisava responder aos questionamentos, mas como fazer isso aos prantos ? Lá foi a mãe, como tantas outras vezes, engolir o choro e acolher.

Afinal, essa era apenas mais uma das várias situações de BULLYING, vivenciadas tão bravamente pelo meu filho.

– Dei um abraço cheio, afaguei a cabeça, dei beijos e perguntei:
– Filho, como você se sente quando eles te falam isso?
– Mãe eu fico triste, magoado, não sei porque falam isso.
– Filho o que você pode fazer para se sentir melhor quando coisas desagradáveis assim acontecem?
– Mãe eu respiro fundo, choro e peço ajuda para diretor.
– Essas coisas deixam a gente triste mesmo, a mãe também não sabe por que eles fazem isso, mas fico feliz por saber que você fez algo para se sentir melhor.
– Filho o que você entende, para você o que é ter problema?
– Não sei mãe.

– Chame sua irmã e vamos pensar juntos, pode ser?
– Sim mãe.
Assim começamos a refletir, em conjunto, sobre o que é de fato ter um problema.

– Temos os problemas que são materiais e problemas emocionais. Materiais são aqueles que perdemos algo ou gostaríamos de ter algo que não temos. Mãe vai dar exemplos para ficar mais fácil entender a diferença.

– Quando tem uma pessoa na família que está doente e não tem dinheiro para comprar remédio, isso é um problema?
– Sim mãe.
– Qual é o problema?
– Não ter dinheiro para comprar remédio.

– Quando um pai não tem trabalho, isso é um problema?
– Sim mãe.
– Qual é o problema?
– Sem trabalho ele não vai ter dinheiro, como ele vai pagar as contas?

– Quando tem alguém com muita fome, barriga doendo, mas a pessoa não tem o que comer, isso é um problema?
– Sim, isso é um problema.
– Qual é então o problema?
– A falta da comida, se tivesse comida a barriga não ia doer.

Temos também os problemas emocionais. São aqueles que envolvem nossos sentimentos e emoções. Por exemplo:

– Uma pessoa passa por uma tristeza muito grande na vida dela, ela amava muito a mãe e a mãe morre, isso é um problema?
– Sim mãe.
Qual é o problema?
– A tristeza que ela está sentindo, a mãe que ela amava morreu.

Uma pessoa não consegue fazer nada, nem trabalhar, nem estudar, e nem ficar feliz por que está com depressão, isso é um problema?
– Claro, né mãe.
Mas qual é o problema?
– Mãe ela está doente, com depressão.

– Então vocês perceberam o que é ter um problema?
– Agora sim.
– Eles podem ser materiais ou emocionais.

– Nós sermos diferentes é um problema? A mãe ter pele mais clara e vocês mais escura, isso é problema?
– Não, né mãe.

– Uma criança que nasce com Síndrome de Down, ela tem um problema?
– Mãe, ela nasceu assim, ela não pode mudar.

– Um amigo autista, tem problema?
– Mãe, ele é só diferente, isso não é problema.

– Isso que seus amigos acham que são problemas, não são. São apenas nossas diferenças.

– Quando teus amigos dizem que você tem problema filho, eles estão falando de problemas mesmo ou das nossas diferenças?
– Eles falam que é problema mãe, mas são nossas diferenças e não problemas.
– Mãe, que bom que a gente não tem problema, né?

Aí pergunto para você que está lendo, o que é ter problemas?

É muito claro que o problema não é ser diferente, o problema é, de fato, não enxergarmos nossas diferenças como algo natural.

É ainda mais claro que precisamos avançar muito enquanto humanidade, não basta falar. Inclua, inclusão vai muito além disso.

Vejo como é muito fácil julgarmos o outro apenas por ser diferente, por falar de forma diferente, por pensar diferente.

Diante disso fico aqui me perguntando o que é ESSENCIAL QUE NOSSAS CRIANÇAS APRENDAM, grifo para refletirmos sobre o que é REALMENTE ESSENCIAL, o que vai de fato fazer a diferença positiva na vida deles.

De que adiantar focar em  tornar meu filho um expert nos conhecemos acadêmicos, mas não ensina-lo coisas ESSENCIAIS, como, por exemplo respeitar a si e ao outro, entender que diferenças não são problemas, aprender a incluir e não potencializar ainda mais a exclusão, principalmente de alguém que já tem suas dores e dificuldades pela própria condição humana.

Mais e mais perguntas vão surgindo a partir de um coração de mãe explodindo de tanta dor.

Onde nos perdemos?
Onde deixamos de nos ver?
Em que momento trocamos o ESSENCIAL pelo supérfluo?
NÓS PRECISAMOS SER VISTOS.

Não com pena, muito menos como seres de luz e sim como seres humanos que somos.

Agora, depois de por os dois na cama, refletindo sobre esse e tantos outros ocorridos, principalmente no ambiente escolar, vejo o quanto é poderoso o aprendizado de habilidades socioemocionais através dos programas Amigos do Zippy e Amigos do Maçã que meus filhos tiveram o privilégio de vivenciar.

ISSO É SEM DÚVIDA ALGUMA O ESSENCIAL A QUE ME REFERI.
As habilidades socioemocionais funcionam como fatores de proteção da saúde mental.

Vocês se atentaram ao diálogo, como ele consegue com muita facilidade comunicar seus sentimentos, nomear corretamente cada um deles, encontrar uma estratégia de alívio momentâneo da dor e, o mais lindo, sem discurso julgador para com amigos ?

Nesses momentos vejo o valor imensurável da empatia, da resiliência, da solidariedade, da autonomia de pedir ajuda quando não conseguir resolver sozinho, do autoconhecimento, reconhecendo exatamente o que sente frente a isso e ainda, no meio da dor, encontrar alguma estratégia para se sentir melhor, e tantas outras habilidades aprendidas.

Para nós, pais de crianças deficientes ou ditas não deficientes, sem pleno desenvolvimento dessas habilidades, facilmente caímos no julgamento sem termos uma visão ampla do ocorrido, mas, com coração manso, é claro que cada um dá exatamente o que tem e o que pode, nada além disso. Portanto, precisamos, não apenas enquanto pais, mas enquanto professores, gestores ensinar também o ESSENCIAL.

Nos dói sobremaneira perceber que nossos filhos são invisíveis, não são vistos, não apenas pelos amigos de classe, mas pela sociedade como um todo.

Alguns vão dizer que se “está vitimizando”, coisa que já escutei algumas vezes de pais com crianças ditas “normais”, será, realmente, que eles me entendem, sem viver o que vivemos?

Gratidão a você que chegou até aqui, este texto foi escrito com ajuda dos meus filhos, ambos querem muito que outras famílias e outras crianças possam entender o que é ter problema!

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Rosane Voltolini, psicóloga, atua na ASEC desde 2009, promovendo Saúde Emocional e Social de Crianças e é mãe de coração de duas lindas crianças que estão, bravamente, sendo educadas para valorizar o ESSENCIAL.

 

Comunicação

criancasNesta semana, continuamos a falar sobre habilidades fundamentais para nossa saúde emocional, indexando também os textos de nosso blog para caso você tenha interesse em conhecer um pouco mais sobre cada tema.

Acompanhe nossas publicações!

A importância de uma comunicação eficaz

Há algumas semanas falamos sobre como nossas dificuldades estão estreitamente relacionadas com sentimentos desagradáveis. Para saber lidar com estes desafios, é fundamental saber também como se comunicar mais eficazmente.

Embora o processo de se comunicar seja aprendido desde muito cedo, normalmente não aprendemos como fazer isto de forma eficaz. Você sabia, por exemplo, que expressar nossos sentimentos pode melhorar nossa comunicação?  E que quando conseguimos observar sem julgar, abrimos espaço para compreender as intenções e sentimentos dos outros, contribuindo para uma comunicação mais autêntica?

A comunicação é uma das habilidades mais importantes para a resolução de conflitos e de problemas. E envolve, de fato, diversas outras habilidades, como: ouvir, escolher o momento certo para falar, dizer o que se quer dizer – mesmo em situações percebidas como intimidadoras – e pedir ajuda.

Você já deve ter vivenciado situações em que uma simples conversa se tornou um conflito porque os envolvidos não conseguiram escutar um ao outro. Ou já percebeu que precisamos de muitas estratégias para conseguir expressar o que realmente queremos dizer em situações intimidadoras (como diante de uma autoridade), não é mesmo?

Por tal razão, quanto mais cedo pudermos ensinar às crianças habilidades para se comunicar de uma forma eficaz, mais recursos elas terão para comunicar o que sentem e o que pensam em qualquer situação. E maiores serão seus recursos para poderem enfrentar as adversidades no presente e no futuro.

 

Sentimentos

O blog da ASEC completa dois anos de existência em 2016. São mais de 90 textos com temas relacionados à educação emocional e ao trabalho da ASEC que, esperamos, possam ser úteis para todos que têm interesse nesta área.

Para tornar esta produção mais acessível, decidimos então organizá-la em “textos-índice”, com base nos temas trabalhados em nosso principal programa: o Amigos do Zippy. Nesta primeira semana falaremos sobre “sentimentos”. Boa leitura!

 

cube-1644385_1280Sentimentos: aprendendo a reconhecer e lidar com eles

Uma das habilidades fundamentais que devemos cultivar para lidar melhor com as dificuldades do dia a dia é reconhecer sentimentos. Afinal, apesar de frequentemente aprendermos que não devemos manifestar determinados sentimentos (como você pode ler aqui: O que sentimos e o que exigem de nós), eles são inevitáveis: sentir é estar vivo!

E situações difíceis estão invariavelmente relacionadas com sentimentos desagradáveis – como tristeza e raiva – não é mesmo? Por isto, para saber lidar com adversidades, o primeiro passo é aprender a reconhecer como nos sentimos e como outras pessoas envolvidas se sentem nestas situações. E aqui vale dizer: permitir que o outro – especialmente uma criança, possa ficar  frente a frente com sua tristeza, por exemplo, e  reconhecer os sentimentos contribui com sua saúde emocional.

Quando nomeamos o que sentimos, somos capazes de entender melhor como agimos diante de sentimentos desagradáveis e identificar o que está por trás das nossas reações. Além de compreender o que pode estar por trás do comportamento dos demais, como porque as crianças choram?, antes de apontar de quem é a culpa.

E você, de que maneira você lida com dificuldades? Suas estratégias costumam ser eficazes para lidar com as dificuldades do dia a dia?

Para que possamos encontrar formas positivas para lidar com nossas dificuldades é fundamental encontrar, antes de mais nada, estratégias para nos sentir melhor. E não existe regra: vale tomar um café quando estiver triste, dar uma caminhada quando estiver com raiva ou simplesmente respirar fundo quando estiver ansioso(a). Cada um de nós possui (ou pode desenvolver) estratégias próprias. O importante é considerar quais as consequências de cada uma delas para que possamos escolher, de fato, aquelas que são produtivas.

Depois de cuidar dos nossos sentimentos, podemos encontrar mais facilmente estratégias para resolver a situação – sempre que isto for possível. Você já deve ter observado como é mais fácil resolver uma situação depois de se acalmar do que quando está com raiva, certo?

É verdade que nem sempre este processo é fácil para nós adultos – independente do nosso papel ou atividade. Mas os benefícios da Educação Emocional diante das situações de pressão e de tantos outros desafios são inegáveis. Por isto, vale à pena pensar em como cuidar da sua Saúde Emocional em seu dia a dia: seja como pai,  Coordenador Pedagógico ou professor!

O mesmo vale para as crianças: se pudermos acolher suas dificuldades com empatia, ajudá-las a identificar sentimentos e a buscar estratégias para lidar tanto com seus sentimentos, quanto com situações desafiadoras, estaremos sem dúvidas contribuindo com o desenvolvimento de suas habilidades emocionais e sociais – ou, dito de outra forma, para que crianças e adolescentes possam se tornar adultos mais felizes!

Você quer contribuir com o desenvolvimento das suas crianças? Então aí vão dicas de atividades e livros que podem ajudar:

Ajudando as crianças a desenvolver estratégias para lidar com situações difíceis

O que fazer diante de uma criança com raiva?

Atividade para a educação emocional das crianças

Livros podem ajudar as crianças na compreensão de sentimentos

Conheça também os programas de Educação Emocional da ASEC, além de outras dicas e notícias relacionadas com Saúde Emocional, acompanhando nossas páginas na internet. Confira:

Facebook ASEC- Amigos do Zippy e Passaporte: Habilidades para a vida

Home Page ASEC

Amigos do Zippy promove Saúde Emocional de crianças

A Educação Emocional como disciplina prazerosa no cotidiano dos pequenos

A ASEC foi fundada para expandir o programa Amigos do Zippy no Brasil. O programa que teve início na Europa e, após o sucesso de duas aplicações piloto, motivou a criação da ONG inglesa Partnership for Children (Parceria pelas Crianças), exatamente para localizar parceiros, pelo mundo todo, que compartilhassem o ideal de promover a saúde emocional de crianças. Desde 2004, a ASEC é responsável exclusiva em nosso país e sua principal função é capacitar educadores para o desenvolverem com seus alunos.

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O programa é composto por um conjunto de seis histórias com um grupo de crianças e o Zippy – um bicho pau, bichinho de estimação de um dos personagens. Em cada capítulo, os amiguinhos do Zippy vivem situações de dificuldades que se prestam à análise e reflexão dos alunos, como amizade, comunicação, solidão, ameaças, mudanças, perdas, entre outras.  Figuras coloridas ilustram cada história.

Durante 24 semanas, os professores capacitados especialmente para o programa, criam um clima emocionalmente seguro para a experimentação prática das habilidades que as crianças vão desenvolvendo. “Percebi que meus alunos aprenderam a ouvir, tentam se organizar para falar, conseguiram olhar para o próximo, respeitando-o ou tentando encontrar uma maneira mais apropriada para organizar e resolver situações cotidianas sem agredi-lo, como era de costume, acusam-se menos e apoiam-se mais”, afirma um professor que teve a chance de trabalhar com o programa.

Até o momento, mais de 220 mil crianças brasileiras já participaram do Amigos do Zippy e aprenderam a desenvolver estratégias para identificar as melhores soluções para problemas, analisando as consequências e pensando por si próprias. Os resultados não podiam ser melhores: observa-se nestas crianças aumento de autopercepção, autocontrole e autoestima, aquisição de empatia e resiliência, aliados a significativo aumento de autonomia que favorecem não apenas seu bem estar geral como seu desenvolvimento integral, além de tornar mais positivos os seus relacionamentos.

Além do Brasil, o programa Amigos do Zippy está presente em 29 outros países dar mais diversas culturas, como Lituânia, China, Índia, Canadá, Islândia e Jordânia. No nosso País, a cada ano, mais alunos, professores e pais têm a oportunidade melhorar sua Saúde Emocional pela aquisição de habilidades que lhes são uteis por toda a vida.

Conheça mais sobre o programa aqui.

Amigos do Zippy nas redes sociais

Para ampliar os conhecimentos sobre o programa Amigos do Zippy, a ASEC mantém uma página oficial no Facebook com depoimentos, dicas e notícias, não apenas sobre o programa, mas sobre tudo que envolva a Saúde Emocional das crianças. Com publicações diárias, o objetivo é compartilhar informações ligadas a esse universo. Será mais uma forma de diretores, professores, educadores, pais e todos que tenham interesse em saber mais sobre o programa se comunicarem com a ASEC.

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