É verdade que raiva é uma forma de sofrimento emocional?

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Por Tania Paris

Crianças, como adultos, reagem aos acontecimentos da vida sentindo prazer, alegria, euforia, raiva, tristeza, frustração, ou uma infinidade de outros sentimentos. Uma parte deles é bem-vinda, a outra gera sofrimento.

Sim, e para usar a raiva, tão emblemática, como exemplo, precisamos ponderar que estar com raiva significa estar em sofrimento emocional. Ela pode ter sido originada por qualquer perda, por ser privado de uma diversão que queria, de um brinquedo que quebrou, da atenção da mamãe que foi toda para o irmãozinho. Seja qual for o motivo, justificável ou não, a sensação de perda ocasiona sofrimento e é aí que começam muitas das crises em família.

De um lado, estão a mamãe e o papai, cientes de que a privação é plenamente justificável e necessária. É claro que a criança não pode ter tudo o que quer na hora em que quer.

Do outro lado, está aquele pequeno ser que realmente está sofrendo porque não pode continuar jogando videogame até altas horas da madrugada.

Racionalmente, a razão está com os pais, que nem precisariam discutir o problema com a criança. Emocionalmente, a criança pode estar presa numa armadilha: quanto mais os pais explicam porque é hora de dormir, mais ela se sente perdendo o jogo, o controle da situação, o afeto dos pais que iniciaram o processo com toda a paciência do mundo e, lá pelas tantas, estão com mais raiva do que ela.

Ops! Voltando ao início: interromper o jogo gera sofrimento. Vamos ao encontro desse sofrimento? Podemos e devemos manifestar que entendemos que ele (a) está sentindo algo muito desagradável e queremos estar juntos para ajudar a fazer essa sensação ruim passar. O que a criança acha que pode ajudar a fazer passar essa sensação?

Observe que oferecer um beijinho atenderia ao seu anseio de acolher a criança, não o dela. Só ela sabe o que ajudaria, a ela, a sentir-se melhor quando acabou de constatar que terá de perder o que quer. E perguntar a ela o que a ajudaria vai dar a ela o aprendizado de inverter o foco: tirar o foco do videogame e colocar em si mesma, no que está sentindo.

O aprendizado de perceber o que está sentindo e buscar maneiras de sentir-se melhor é o b + a = ba, da alfabetização emocional. E, claro, todos queremos nossos filhos proficientes em lidar com seu universo interior.

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Tania Paris fundou a Associação pela Saúde Emocional de Crianças para dar oportunidades às crianças de aprenderem, desde muito cedo, a lidar com seus sentimentos e com as dificuldades da vida. “Amigos do Zippy” é um programa internacional de Educação Emocional, representado exclusivamente pela ASEC no Brasil, que é desenvolvido em escolas pelos próprios professores das crianças. www.az.org.br

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