Estratégias para cuidar da sua saúde emocional durante a pandemia do novo coronavírus

Por Andréa Monteiro

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A pandemia do coronavírus trouxe incerteza e muitas mudanças inesperadas para a rotina de todos nós. E, naturalmente, muitos sentimentos desagradáveis associados. Buscar formas de lidar com estes sentimentos é o primeiro passo para cuidarmos do nosso bem-estar emocional.

Pensando nisto, a Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), dentro de sua filosofia de promover a ampliação de estratégias e habilidades para lidar com dificuldades, elaborou um breve roteiro com perguntas para ajudá-lo(a) a encontrar respostas que possamcontribuir com sua saúde mental e emocional neste período. Mais do que respostas únicas, nossa intenção é ajudá-lo(a) a buscar as estratégias que podem ser mais eficazes para você, que é único.

1. Por que cuidar dos seus sentimentos?

Uma pandemia traz inúmeros impactos para cada um de nós. Seja porque seu negócio ficará fechado ou você não terá condições de trabalhar como autônomo neste período, porque teme que não haja comida suficiente para sua família nos próximos dias, porque tem pessoas idosas que o/a preocupam ao redor, porque você ou uma pessoa querida está apresentando sintomas ou já teve o diagnóstico positivo confirmado, ou porque é profissional de saúde e está lidando diretamente com as pessoas com o novo coronavírus. Todas estas situações individuais – além de tantas outras, somadas ao cenário geral, estão associadas a muitos sentimentos desagradáveis.

Embora desagradáveis, estes sentimentos são sinalizadores importantes sobre o que se passa na nossa relação com o ambiente e com nós mesmos. Mas quando somos tomados por eles, podemos ter dificuldade para avaliar as situações de forma adequada e de encontrar estratégias eficazes tanto para cuidar de nós ou daqueles que precisam de nós, quanto da situação em si.

Você já vivenciou situações em que sentimentos intensos o/a levaram a agir de forma inadequada ou ineficaz? Cuidar dos seus sentimentos contribui para mantermos o equilíbrio especialmente em momentos difíceis como este.  E pode aumentar inclusive sua imunidade!

2. O que você está sentindo?

Diante de tudo isso, queremos convidá-lo(a) a fazer uma pausa e procurar identificar o que você está sentindo. É natural termos muitos sentimentos (concomitantes e mesmo conflitantes) como medo, raiva, tristeza ou ansiedade diante de situações de crise. Quando nomeamos e aceitamos estes sentimentos como naturais, isto torna mais fácil encontrarmos formas para lidar com eles.

3. O que você pode fazer para se sentir melhor?

Todos nós temos estratégias para lidar com sentimentos desagradáveis, mas nem sempre pensamos sobre elas. Pensar ativamente sobre o que fazer para se sentir melhor contribui para que você encontre formas mais eficazes para lidar com seus sentimentos e com as próprias dificuldades.

Uma pessoa ansiosa, por exemplo, diante da quantidade de informações circulando sobre o novo  coronavírus, pode perceber como útil deixar de ler notícias ou desligar-se das redes sociais por algum tempo. Enquanto outra pessoa pode preferir fazer um breve relaxamento ou simplesmente dormir por alguns minutos.

O que você costuma fazer para se sentir melhor? Isto tem ajudado você?

Pense em diferentes estratégias, experimente e avalie os efeitos de cada uma delas. Compartilhe suas ideias, pergunte para outras pessoas o que elas têm feito para lidar com seus sentimentos. Assim você poderá ampliar seu leque de estratégias e descobrir aquelas que são mais eficazes para você de acordo com o que sente e com a situação específica que vive. Lembrando que às vezes podemos precisar de muitas estratégias diferentes até nos sentirmos melhor!

4. Qual a sua rede de apoio?
Falar com alguém em quem você confia pode ajuda-lo(a) a se sentir melhor, a refletir sobre o momento que está vivendo e também a encontrar apoio. Faça uma lista das pessoas com quem você pode conversar sobre diferentes coisas e mantenha contato – use a tecnologia a seu favor. O isolamento físico não precisa implicar em se sentir só.

Caso você não consiga pensar em pessoas que possam te dar apoio neste período, lembre-se que você pode conversar com o Centro de Valorização da Vida – CVV – por telefone (188) ou on-line (www.cvv.org.br).

Nós da ASEC estaremos nas redes sociais buscando acolher algumas demandas.

5. Quem você pode apoiar?

Se você se sentir disponível, ofereça-se para conversar e dar apoio para outras pessoas – especialmente idosos em isolamento. Você pode orientar, por exemplo, sobre como podem usar os recursos tecnológicos para se entreter e manter contato; compartilhar notícias que ajude a se manterem informadas sem pânico ou simplesmente escutar como a outra pessoa se sente: sem julgamentos ou conselhos – apenas uma escuta genuína. Ajudar contribui com o bem-estar emocional do outro e com o seu!

6. É questão de tempo.

Apesar de toda a incerteza envolvida em momentos como este, sabemos que superar esta pandemia é uma questão de tempo. Cuidando da nossa saúde emocional, podemos lidar com este desafio de forma mais produtiva tanto individual, quanto coletivamente.

A Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC) é uma organização sem fins lucrativos focada na promoção da saúde mental de crianças, jovens e adultos através do desenvolvimento de Habilidades para a Vida (ou competências socioemocionais) há mais de 15 anos.

Acompanhe nossas redes sociais e compartilhe conosco sentimentos e estratégias:vamos construir uma rede de apoio e trocas para cuidar de todos nós!

AndreaMonteiro

Andréa Câmara Monteiro é graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista em Psicopedagogia pela FAE Centro Universitário e Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública – Fundação Oswaldo Cruz. Coordenadora regional do Núcleo Paraná da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), e monitora certificada desta instituição, atuando na capacitação de professores para programas internacionais de desenvolvimento de habilidades socioemocionais de crianças e jovens, além de facilitadora de cursos de educação emocional para profissionais da educação há dez anos. Professora do módulo Educação Emocional da pós graduação em Educação Transformadora da Gente de Bem/PR.

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