Habilidades emocionais e a busca por uma nova oportunidade profissional

Habilidades emocionais e a busca por uma nova oportunidade profissional

Por Katia Negri

 

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“Para conhecer alguém vocês precisam comer juntos um quilo de sal”.

Você já ouviu ou disse essa frase? Essa citação muitas vezes é utilizada para exemplificar o quanto pode ser importante conviver com o outro para conhecê-lo de fato, afinal um quilo de sal exige tempo para ser consumido. E tempo é sem dúvida um ingrediente importante para o exercício da observação dos aspectos subjetivos que fazem parte da personalidade de alguém.

No entanto, quando se trata de processos seletivos para o recrutamento e contratação de profissionais em diversas empresas, observamos prazos pré determinados com etapas planejadas, e nem sempre esse processo permite flexibilidade para que que se possa incluir mais tempo na análise sobre o perfil dos candidatos. Não é como comer um quilo de sal juntos, mas pode ser em alguns casos como um rápido “cafézinho”.

Algumas vezes o processo conta com uma única entrevista, outras vezes uma entrevista, um vídeo gravado pelo candidato e um teste de personalidade, por exemplo. Nesse curto espaço de tempo, a empresa através do olhar do profissional de Recursos Humanos, buscará conhecer os candidatos, identificando aqueles que mais se adequam ao cargo e à organização.

Por sua vez, do outro lado pode existir alguém que está buscando uma colocação no mercado de trabalho, e que ainda não percebeu que, talvez tenha pouco tempo para mostrar e apresentar suas habilidades e competências.

Além disso, os aspectos emocionais podem interferir diretamente nesse processo. É muito comum observarmos candidatos saírem frustrados de entrevistas de emprego porque não conseguiram se expressar como gostariam, ou ainda porque não puderam deixar evidentes suas habilidades e experiência profissional. Durante os testes isso também pode ocorrer, candidatos nervosos, que embora sejam capazes de apresentar um bom desempenho, acabam não conseguindo fazê-lo.

Se todos esses aspectos já faziam parte da realidade de quem buscava uma oportunidade de trabalho antes das inúmeras mudanças que estamos vivendo em função da pandemia do corona vírus, agora temos um cenário que pode ser ainda mais desafiador. O candidato pode estar muito sensibilizado emocionalmente, com necessidades financeiras latentes, inúmeras preocupações e tudo isso estará presente com ele internamente, enquanto se aplica para uma oportunidade.

Diante desse novo cenário, podemos nos perguntar: De que forma um profissional pode  apresentar suas habilidades dentro do tempo disponível, mostrando-se atrativo para uma empresa durante o processo seletivo?

A seguir, listamos alguns pontos importantes que podem contribuir com alguém que está candidatando-se a uma nova oportunidade profissional,  e ampliar a reflexão a respeito do assunto:

1. Dê atenção aos seus sentimentos e faça algo para aliviar o desconforto emocional durante todo o processo seletivo.

Medo, angústia, ansiedade, e outros sentimentos podem estar presentes em nós quando estamos vivenciando a busca por uma oportunidade profissional. Esses sentimentos podem nos paralisar, ou ainda dificultar nossa capacidade de agir de forma mais assertiva. Por isso, antes da entrevista, do teste, ou de qualquer fase do processo, pode ser útil um olhar amoroso para si mesmo, e uma ação de autocuidado emocional, como um tempo de descanso, um banho relaxante, uma caminhada, uma conversa com um amigo, ou qualquer outra atividade que ajude a aliviar, a se sentir melhor.

2. Reconheça suas forças

É natural nos sentirmos nervosos ao participarmos de um processo seletivo, e pode acontecer de nos esquecermos das nossas forças e habilidades desenvolvidas. Fazer um exercício para reconhecer as nossas forças, a capacidade de nos reinventarmos, nossa flexibilidade, a capacidade que temos de criar novas estratégias para lidar com os desafios, pode contribuir para nos sentirmos mais fortalecidos e preparados. Podemos também nos lembrar de situações profissionais ou pessoais que vivenciamos, e que de alguma forma encontramos maneiras positivas para lidar com elas. Fazer esse exercício antes de uma entrevista profissional por exemplo, pode facilitar a nossa comunicação em relação às habilidades e capacidades adquiridas durante a vida.

 3. Comunique-se com clareza

Quem não se comunica se trumbica, já dizia o grande comunicador. Habilidades de comunicação são apreciadas e valorizadas em muitas situações da vida, especialmente quando estamos diante de alguém que está buscando nos conhecer e entender quem nós somos. Comunicar-se com clareza é fundamental para estabelecer um diálogo positivo e próximo com o outro. Observar a forma como nos comunicamos e buscar aprimorar essas habilidades pode ajudar a nos deixarmos conhecer melhor nesse processo.

 4. Exercite a autoconfiança

Autoconfiança é um aspecto muito importante também. É comum observarmos os candidatos que já estão há algum tempo buscando uma nova oportunidade profissional, sentirem-se desmotivados ou sem confiança em si mesmo. Pode ser útil nesse momento distinguir nossas habilidades e capacidades pessoais e profissionais, das experiências que vivemos em outros processos seletivos, e que não trouxeram o resultado esperado. Nós não somos o resultado de uma entrevista, ou de um teste de habilidades, esses são apenas recortes simples de uma imensidão de potencial que existe em cada um de nós. Reconhecer esse potencial pode nos ajudar a exercitar nossa autoconfiança. Um bom exercício pode ser fazer uma lista de tudo que aprendemos ou temos aprendido com as adversidades da vida. Ao identificar essas aprendizagens podemos perceber o quanto podemos confiar em nós mesmos, e essa autoconfiança certamente ficará evidente na conversa com as outras pessoas.

 5. Identifique suas fragilidades e busque estratégias pra melhorar

É claro que todos nós temos fragilidades, temos nossas dificuldades pessoais e profissionais. O primeiro passo para evoluirmos é olhar para essas fragilidades e reconhecê-las em nós. Quando nos permitimos sermos imperfeitos, temos mais chances de aprender, de evoluir e de nos desenvolvermos. Você conhece alguém que se diz perfeito o tempo inteiro? Sabe aquele amigo que conta milhões de histórias de sucesso o tempo todo e em nenhum momento admite qualquer dificuldade? Como nos sentimos quando conversamos com ele ou ela? Podemos ficar bastante desconfortáveis, isso acontece porque não conseguimos nos reconhecer na fala da outra pessoa. Reconhecermos as nossas fragilidades e buscarmos estratégias para nos desenvolvermos pode ser mais produtivo do que tentarmos escondê-las de nós mesmos e dos outros. O que você tem feito para se desenvolver e evoluir diante das suas dificuldades?  Outro dia uma amiga comentou comigo que está lendo sobre comunicação não violenta, pois tem percebido algumas fragilidades em seu processo de comunicação. Durante um processo seletivo, possivelmente vamos nos deparar com nossas fragilidades, e se temos utilizado estratégias para cuidar delas, podemos nos sentir mais preparados tanto para falar sobre elas, quanto para comunicar o que já estamos fazendo para nos desenvolvermos.

 6. Exercite a empatia

Você já parou para pensar que o profissional responsável pela seleção de um novo colaborador para a organização pode estar lidando também com muitos sentimentos negativos? Ele ou ela pode estar se sentindo pressionado, inseguro, pode também ter demandas pessoais que nem imaginamos! Exercitar a empatia e estabelecer uma conexão humana com quem está do outro lado durante o processo seletivo, pode nos aproximar e nos possibilitar comunicar com mais clareza tudo o que queremos dizer. Pode ser um excelente exercício pensarmos nesse momento de entrevista ou contato com o profissional que está responsável pela seleção, como um contato para nos conhecermos, para estabelecermos uma conexão, uma conversa, ainda que o foco seja falarmos de nós.

Quanto mais cuidarmos de nós internamente, nos observarmos, nos prepararmos, e buscarmos o autoconhecimento, mais tranquilos e confiantes poderemos estar para participar dos processos seletivos. E mais do que isso, mais chances teremos de encontrar uma organização que nos convide para algo além do “cafezinho”, quem sabe um “jantar”, ou até uma relação mais longa que permita consumir o famoso “quilo de sal”. Permita-se, seja você mesmo, encontre-se com você antes do encontro com o outro, e todo esse processo pode se transformar em algo mais leve e prazeroso!

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Katia Negri é psicóloga (CRP 06/72158) há 20 anos. Atua na área clínica, com atendimento individual a crianças, jovens e adultos, na cidade de Sorocaba-SP.
Na ASEC atua, desde 2012, como monitora certificada para formação de docentes no desenvolvimento de competências sociais e emocionais.

Contato: (11) 96455-9291 – katia@asecbrasil.org.br

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