O momento certo para falar

chronometer-1065937_1280Por: Andréa C. Monteiro

Seja em casa ou na escola, frequentemente observo adultos (e aqui me incluo também!) se sentirem frustrados por não serem escutados por suas crianças. Ficamos impacientes e por vezes julgamos este comportamento como provocação ou desobediência: afinal, “quantas vezes é preciso pedir?!”; “parecem surdas!”.

A comunicação é, de fato, uma habilidade desafiadora tanto para as crianças quanto para nós, adultos. Ela envolve muitos aspectos – alguns deles já abordados em nosso blog, como crenças e julgamentos (“Observar sem julgar: um desafio que traz muitos benefícios para nossos relacionamentos“), a dificuldade de expressar nossos sentimentos (“Como expressar nossos sentimentos pode melhorar nossa comunicação“) ou de dizer o que realmente queremos dizer (“Você sabe como pode se comunicar mais eficazmente?“). E exige, especialmente no que diz respeito à escuta, disponibilidade e abertura.

Mas, mesmo quando estamos atentos à forma como nos comunicamos, podemos não ser eficazes se deixarmos de observar um aspecto importante: o momento certo para falar.

No programa Amigos do Zippy, uma das habilidades relacionadas com a comunicação que as crianças aprendem é avaliar o momento certo – ou mais adequado – para conversar com alguém. “Você já experimentou tentar conversar com algum fã de futebol enquanto ele assiste a um jogo? Ou contar uma novidade para alguém que está conversando no telefone?” podem ser algumas das perguntas disparadoras para refletir com as crianças. Pode parecer evidente, mas a verdade é que nem sempre observamos se aquele momento é ou não o mais adequado para falar – especialmente quando nos dirigimos às crianças.

Se precisamos pedir algo ao chefe ou conversar sobre um tema delicado com um amigo, costumamos “ensaiar” o que falar e analisamos quando ele estará mais acessível. Mas quando precisamos, por exemplo, que as crianças colaborem conosco em uma determinada tarefa, podemos agir apenas de acordo com nossa necessidade, nos dirigindo a eles em momentos em que não estão disponíveis: seja porque estão concentrados em uma atividade ou curtindo um momento de lazer.

Independente de qual seja a razão que dificulta que o outro me escute, considerar se a conversa pode ser adiada ou combinar em que momento vocês poderão conversar (como “depois do desenho” ou “quando vocês terminarem a tarefa”) pode abrir um canal de comunicação mais eficiente. Encontrar o tempo certo para falar é também encontrar o tempo certo para ser ouvido!

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