O que aprendi com o Programa Passaporte: Habilidades para a Vida

Por Isabella Maria Valério

Group of teenager friends on a basketball court teamwork and togetherness concept

Independentemente de quantos textos eu escreva, sempre será difícil começar qualquer um. Então, começo me apresentando; meu nome é Isabella, tenho dezesseis anos. A adolescência é uma fase complicada, em que, muitas vezes, não sabemos direito o que sentimos, ou como lidar com isso sem trazer novos problemas. É uma fase de descobertas. Descobertas de sentimentos, vontades, de opiniões… porém, não posso só falar do quão difícil foi — e está sendo —, sem dar o devido reconhecimento às coisas que fizeram parte de todo esse processo, me ajudando. E com “ajuda”, eu não quero dizer que tais coisas me trouxeram a resposta de tudo, muitas vezes me ajudaram implicitamente, de forma que eu mesma tive que descobrir a resposta.

Gosto de quem me tornei hoje, e vejo que é difícil saber os acontecimentos que me fizeram pensar como penso, que me fizeram ser essa pessoa, essa Isabella. Quando tinha doze anos, participei do programa “Passaporte – Habilidades para a Vida“, acredito que isso tenha contribuído muito com como sou hoje. Durante as aulas que tivemos dentro desse programa, estivemos sempre com o mesmo grupo de pessoas e, por mais que eu conhecesse algumas, era próxima apenas de duas meninas, o que limitava meu grupo social a elas. Ao participar das dinâmicas de encenação de certas situações, mesmo com vergonha, eu vi que poderia ser divertido interagir com outras pessoas da minha idade, isso tudo pelo ambiente que foi criado, de risadas, diversão e cooperatividade. Como ficamos juntos por algum tempo, ao fim do programa estavam todos mais unidos e soltos, isso me inclui.

Ter essa experiência num momento tão primordial da minha adolescência foi fundamental. Sempre fui uma pessoa mais introvertida, sabe? a que pede para outras pessoas irem comprar as suas coisas, a que fica quieta por medo de errar. Com o Passaporte, eu aprendi que errar é normal, e está tudo bem com isso. Essa é a parte que mais me emociona, de verdade, porque é algo que aparece muito no meu dia a dia. As notícias que vemos sobre aumento do índice de depressão e ansiedade, tanto quanto o aumento de casos de bulimia e anorexia são verdade. Os adolescentes, mesmo que sem tantas responsabilidades, são muito cobrados, e como são. Às vezes por eles mesmo, às vezes por outras pessoas. O que devemos pensar, é no reflexo que isso causa em todos nós, jovens: eu, que tenho pais preocupados comigo, tenho poucas responsabilidades e não sou cobrada para decidir logo o que quero fazer da vida, às vezes tenho momentos fortes de instabilidade emocional, de ansiedade, preocupação; podemos imaginar, a partir disso, a dificuldade que outros adolescentes também têm.

O Passaporte me ajudou em muitas coisas. Com ele, eu aprendi a deixar os meus instintos tímidos e minha vontade de não arriscar respostas de lado, eu me tornei outra pessoa. Na escola, por exemplo, ao apresentar um trabalho: eu não me cobro mais de saber tudo e não poder errar, eu levo isso de forma muito mais saudável comigo mesma, sou compreensiva comigo caso erre alguma parte. Me fez ter mais empatia, e isso é algo que me orgulha. Eu penso muito mais nos outros depois de ter participado do programa, penso muito mais nas consequências dos meus atos.

Descobri, depois de procurar bastante, coisas que me deixam bem comigo mesma, coisas que posso fazer para me sentir melhor. Mas, se fosse para resumir em poucas palavras, eu diria que o Passaporte me ensinou a amar. Me amar, amar o próximo. Cuidar dos nossos sentimentos é cuidar de nós mesmos, e nesse mundo de tanta cobrança da sociedade, tanta ilusão causada por redes sociais, é disso que a gente mais precisa. Amor, amor consigo mesmo, principalmente, mas também com o próximo.

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Isabella Maria Valério

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