Quem poderia imaginar?

Quem poderia imaginar?

Por Miriam Lamana

blog

Quem poderia imaginar?

Quem poderia imaginar que um sinal de carinho e cuidado viria com o gesto de “esconder” o nosso sorriso? Quem poderia imaginar ver os lugares históricos e turísticos ficando vazios?

Estamos vivendo um momento histórico e mais complexo do que nunca! Estamos recebendo, na veia, o Mundo VUCA – no português, volátil, incerto, complexo e ambíguo. As demandas das organizações, das famílias e da sociedade nos desafiam. Tomar decisões, nesse momento em especial, requer coragem, consciência e disposição para encontrar novas formas de agir, de relacionar e de conduzir nossas rotinas.

Este é um momento em que falar sobre saúde mental e inteligência emocional se torna mais necessário do que nunca. O momento nos exige lidar com a complexidade e a quebra de uma rotina lotada de afazeres. Estávamos agindo automaticamente para dar respostas rápidas e sem tempo e agora podemos olhar para nós mesmos e entender o que cada vivência representava. As rotinas, o excesso de afazer e de responsabilidades, nos mantinham, muitas vezes, desconectados do nosso emocional, vivendo para dar conta das responsabilidades.

O fato é que os pensamentos e as emoções surgem de forma invisível e só acessamos se houver espaço para falar sobre isso. Quanto menos conversamos, mais criamos sombras dentro de nós e damos o “domínio” dos nossos pensamentos e emoções aos nossos medos e inquietudes.

Entender e aceitar que mudanças estão acontecendo em todos os setores da sociedade, facilita a reflexão de como agir agora e no futuro. Pense o quanto este momento nos propicia a expansão do entendimento sobre o que cada situação nos traz: o que quero para mim, para minha família, para a minha equipe de trabalho… O fato de estarmos vivendo tudo junto e misturado, onde o espaço de trabalho, estudo e convivência se misturam e dividem nossa atenção, nos força a criar novas rotinas para dar conta de todas as responsabilidades.

O que te parece este momento? Caos ou oportunidade para ampliar suas percepções?

Se mantemos nossa energia ancorada no medo e na negação, não conseguiremos enxergar as possibilidades de lidar com os novos fatos. A energia do medo ativa respostas automáticas de nosso sistema nervoso simpático, aumentando o cortisol – hormônio do estresse – gerando emoções desgastantes, como ansiedade, frustração e raiva. É importante acolhermos o nosso medo e não o negarmos.

Vou compartilhar com você um bom caminho para iniciar o diálogo com o medo:

De pé ou sentado, com as costas eretas, respire profundamente, sempre pelo nariz. Inale lentamente, contando até quatro, acompanhando a entrada do ar até abaixo do umbigo. Faça uma pequena pausa e exale bem lentamente, contando até seis. Faça isso algumas vezes.

A respiração feita dessa forma ativa o sistema parassimpático, produzindo hormônios que trazem sensações de calma e tranquilidade. O que acha de experimentar agora mesmo? Como está se sentindo?

Que tal agora buscar o que de positivo as situações que estamos vivendo podem nos proporcionar?

Pode ser útil e apropriado dar atenção aos nossos comportamentos, reações e sentimentos, lapidando-os para que possamos inspirar os que estão ao nosso redor. É uma oportunidade de aproximar o que quero ser daquilo que eu tenho e consigo ser, de expandir a capacidade empática e de compreensão.

Te convido a manter a consciência dos seus pensamentos, seu impacto no corpo, nas suas reações físicas e nos sentimentos. Ter mais atenção ao que acontece com você mesmo e mais consciência sobre a importância de ser gentil consigo e com o outro. Te convido a se perguntar sobre como quer se lembrar deste momento. Quais sentimentos quer gerar no futuro, ao se lembrar deste período? Temos a possibilidade de escolher isso agora. Uma bela oportunidade, não é mesmo?

Podemos escolher o que vamos alimentar: se é o medo e a incerteza ou se é aquilo que está bom e bem, as oportunidades de convivência, as novas rotinas, a alegria e a celebração da vida. Podemos escolher olhar para essas descobertas e para beleza de ver as pessoas unidas para um mesmo fim.

Conversar amplia e nos ajuda a entender os impactos das nossas ações e, assim, fazer escolhas mais conscientes. Ser objeto dessa reflexão, conectando-nos com as nossas práticas para, ao estarmos bem, sermos influência positiva para os que estão a nossa volta.

miriam

Miriam Lamana, psicóloga com mais de 28 anos de vivência em organizações, com MBA em Gestão e Finanças e especializações em Coaching e desenvolvimento humano. Na ASEC desde 2012, como monitora na capacitação de professores no desenvolvimento de competências socioemocionais e na coordenação das atividades em São Paulo.

Contato: miriam.lamana@asecbrasil.org.br

Um comentário em “Quem poderia imaginar?

  1. Eu leio o mundo pela ótica do otimismo. Não posso acreditar que o ser humano não tenha aprendido nada neste momento. Chegou a hora de repensarmos: este é o mundo que queremos deixar para nossos filhos, netos, amigos, vizinhos, conhecidos. Será que nos privarmos de tantas coisas que considerávamos corriqueiras, ou de darmos valor a coisas materiais não nos ensinou nada? A natureza vista hoje com mais calma, a convivência familiar tendo que ser melhor administrada, evitando-se conflitos desnecessários para que não se tornasse insuportável, o tempo de se fazer aquilo que nunca dava, tudo isso tem que ter nos ensinado algo novo. O reinventar-se. Ou tornar a ser aquilo que um dia fomos, mas que deixamos a rotina engolir. Temos uma nova chance. Eu pelo menos quero ter!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: