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Pelo direito de ter quem nos escute

ouvindo c olhos

Por: Alessandra Calbucci

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória.

Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar.

Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória.

Mas acho que ninguém vai se matricular.”

Rubem Alves.

Vai me dizer que você não conhece alguém que diz: “eu tenho direito de falar o que eu penso” e, muitas vezes, diz uma série de coisas, sendo indelicado, grosseiro e não considerando que o que está dizendo pode ferir as pessoas?

Esse “direito” tem sido usado constantemente pelas pessoas como permissão para magoar, agredir e impor verdades como se fossem universais, porque elas entendem que o seu ponto de vista é o correto, e acreditam que têm sempre razão. É claro que todos podem expressar suas ideias, mas o direito de falar, não deveria ser acompanhado do dever de escutar?

Será que em alguns momentos nós também agimos desta maneira? E isso não significa que sejamos cruéis. Como todos os costumes, talvez nem tenhamos refletido sobre isso, porque simplesmente estamos seguindo a “onda do direito de falar”. Já viu discussões sobre política, futebol e religião que acabam em verdadeiras guerras?

Não? Então procure algum post no Facebook sobre esses temas e você se surpreenderá com desrespeito e ofensas. A vida virtual muitas vezes pode se assemelhar à vida real. Nessas discussões, amigos de infância podem brigar para sempre, parentes passarem a se evitar, pessoas que antes eram importantes serem excluídas do Facebook e da vida.

Nesse momento em que “falar muito e escutar pouco” parece que virou lei, observo que tem gente demais falando e gente de menos escutando.

E qual o resultado disso? As pessoas se afastam emocionalmente. Porque grande parte das vezes, precisamos de alguém para nos escutar e não para falar mais do mesmo.

Você já parou para pensar se suas palavras afastaram alguém importante da sua vida? E você, já se afastou de alguma pessoa por ter considerado que a fala dela foi inadequada?

Na maioria das vezes o que ela pensa, você já sabe. E ela também sabe o que você pensa.

A dúvida é se você ou o outro tem a capacidade de, realmente, escutar.

Veja bem, estamos falando aqui sobre a palavra ESCUTAR. Não simplesmente ouvir. Ouvir quase todo mundo é capaz.

Escutar significa prestar atenção no outro, entender o que ele está dizendo, perceber seus sentimentos e poder compreender seu ponto de vista mesmo quando diferente do seu.

Qual a pessoa que você procura quando quer conversar, quando precisa de ajuda? Qual a sua relação mais prazerosa? Com quem gosta realmente de estar? Com pessoas que só falam, que dizem o que “dá na telha”, ou com as que escutam você?

Escutar é um dos caminhos para ter INTIMIDADE com outras pessoas. E intimidade é o antídoto para a SOLIDÃO. Escutar permite que uma pessoa consiga se colocar no lugar do outro. Isso se chama empatia. E a empatia nos aproxima.

Não importa quantos relacionamentos você tem, a quantidade não faz com que você se sinta menos solitário.

Se você tiver apenas um relacionamento íntimo, em que há espaço para a fala cuidadosa, gentil, com o intuito de ajudar um ao outro e uma escuta acolhedora, atenta, isso poderá contribuir para que a solidão se afaste de você.

Por esse motivo, pode ser importante cuidar do que falamos, treinarmos a escuta e tentarmos compreender com o coração o que o outro está dizendo, se não quisermos afastar as pessoas.

Se você se sente mal com as palavras ou a forma que o outro está falando com você, que tal avisá-lo que você está se sentindo desrespeitado, e que não está gostando da conversa?

E se isso não adiantar… Meu amigo, respeite o meu direito de ir buscar alguém que me escute de verdade.

Foto Ale

Alessandra é Psicóloga e coach há 20 anos e é apaixonada pelo universo emocional da mulher. Realiza workshops, palestras e psicoterapia em grupo com esse enfoque, além de atuar na ASEC como monitora, capacitando educadores em saúde emocional de crianças.

Você tem uma vida plena e feliz?

 

bem estarPor: Katia Negri

“É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração”, já dizia Vinícius de Moraes! Com toda a admiração e respeito ao poeta, gostaria de perguntar: Será mesmo que é melhor ser alegre que ser triste, e que a alegria é a melhor coisa que existe? Parece uma pergunta tola e sem sentido não é mesmo? Mas, vale a pena refletir um pouco sobre as mensagens que recebemos desde a infância a respeito dos nossos sentimentos e dos padrões que algumas vezes são impostos a nós.

Recentemente encontrei um álbum de fotografias antigas, e ao folheá-lo me deparei com meu rosto de menina, e com um sorriso forçado e espremido no canto da boca. Então, me lembrei da minha mãe, na hora de tirar o retrato, dizendo: “Cadê o sorriso”? E nós, para embelezar a foto e eternizar o momento feliz (mesmo que não fosse tão feliz assim) mostrávamos os dentes para agradá-la! Guardar a imagem das suas três menininhas sorrindo era intenção da minha mãe e eu a agradeço por isso, pois hoje temos nossas recordações de infância, que inclusive estão me inspirando para redigir este texto.

Mas, observando aquelas fotos me dei conta que mostrar felicidade ao mundo parece uma espécie de obrigação, você já notou? E hoje, me pergunto se o sorriso amarelo e forçado da infância não se reflete nas famosas “selfies”, nas respostas: “tudo bem comigo” (mesmo quando tudo vai mal), e no velho hábito de vestir a “máscara da felicidade”.

Sentir alegria sem dúvida é muito prazeroso e agradável, ao passo que sentir tristeza nos traz desconforto, concorda? Então, se pudéssemos escolher afastaríamos a tristeza e ficaríamos somente com as boas sensações que a alegria provoca em nós!

Mas, isso não é possível e essa é uma boa notícia, acredite! Sempre que sentimos tristeza ou qualquer outro sentimento que nos incomoda, como raiva, angústia, medo, entre outros, significa que estamos diante de algo que é percebido por nós como ameaçador e os nossos sentimentos surgem para sinalizar isso. Quer alguns exemplos? Perder alguém que amamos pode ser percebido por nós como uma ameaça, não ser reconhecido por um trabalho que desempenhou pode ameaçar nossa autoestima, e por aí vai….. E isso inclui não somente situações reais, mas também lembranças e pensamentos. Você já se sentiu triste ao lembrar de alguma situação que aconteceu no passado?

Desta forma, se estivermos atentos aos sinais (nossos sentimentos), podemos nos conhecer melhor, e um bom começo é respeitarmos e compreendermos que os sentimentos são naturais e, portanto, não podemos controlá-los ou  escolhê-los! Reconhecê-los e identificá-los é o primeiro passo no caminho do autoconhecimento para uma vida mais saudável emocionalmente.

Agora, imagine se ao longo da vida evitamos entrar em contato com as nossas dores e tristezas? O que você acha que pode acontecer? Com o passar do tempo é possível que nos distanciemos de nós mesmos, das nossas verdades, daquilo que sentimos de fato, para aparentar aquilo que é esperado socialmente.

Quando estamos atentos às nossas emoções e necessidades, podemos fazer algo para aliviar quando surgir um sentimento que provoque desconforto. Sempre podemos fazer algo para cuidar de nós mesmos e nos sentirmos melhor! Tomar um café, um banho quente, conversar com alguém, dormir, chorar…. Tudo aquilo que pode nos ajudar a aliviar nossos sentimentos e que não tenha conseqüências negativas é válido! O que você faz para se sentir melhor quando está triste, por exemplo?

Você sabia que é possível aprender esse tipo de autocuidado de forma sistematizada desde a infância? Por meio dos programas de Educação Emocional, as crianças e os jovens desenvolvem habilidades emocionais e sociais, e ficam mais abastecidos e instrumentalizados para a vida! Fica aqui o convite para que você possa conhecer os programas Amigos do Zippy e Passaporte: Habilidades para a Vida: acesse nosso portal www.asecbrasil.org.br. Vamos investir na Educação Emocional dos pequenos!

E para terminar, como disse o mestre Vinícius, “a alegria é como a luz no coração”, mas a tristeza, o medo, a angústia, o amor, a raiva, e todos os outros sentimentos fazem parte de nós, e são importantes. Reconhecer isso contribui para uma vida plena, com mais Saúde Emocional e, portanto, mais feliz também!

De Mãos dadas

MaosDadasComFlor1Por: Irmãos M. C.

– Ei, você, pode me ouvir? Gostaria de compartilhar reflexões.

– Sim, pois não.

– Que bom! Antes de tudo quero que saiba que não trago verdades, apenas me coloquei a refletir e a sonhar!

– Sim.

– Sonho com o dia em que o egoísmo e o altruísmo caminharão lado a lado, juntos, de mãos dadas.

– Será? Ao que me consta ser egoísta é pensar somente em si, em detrimento de outros. Ser altruísta é exatamente o oposto, é pensar nos outros e em suas necessidades. Como duas coisas opostas podem se encontrar?

– Eu me explico! Falo de uma face do egoísmo, se é que isso seja possível. Da face do cuidar de si, de atender as próprias necessidades. E o quanto esta atitude também o é, em sua essência altruísta. Confuso?

– Parece, me explique mais.

– Pergunto: quem convive continua e ininterruptamente comigo mesmo?

– Ora, você mesmo.

– Então, não é natural o zelo por mim? Não é natural me cuidar?

– Sim, não posso negar.

– E ao zelar, me cuidar, identifico necessidades, simples, complexas, nobres, espúrias, vazias, físicas, emocionais. Entendo que é doloroso demais sofrer, adoecer, me ferir. Daí dedico atenção a mim mesmo, atendo minhas necessidades e desejos, sejam de que natureza forem.

– Estou entendendo. Por favor, continue.

– Esse afã comigo mesmo não poderia ser categorizado como uma atitude altruísta? Quando me cuido, atendo minhas demandas, não delego a outros cuidar de minhas dores e lhe causar sofrimentos e isto não é oferecer ao meio onde vivo o meu melhor?

– Sim.

– Cuidada e acolhida em minhas necessidades percebo também que somente conseguirei de fato estar bem, segura e atender ao que me é necessário se o mundo em que vivo contribua para tal intento. Então, acaba por ser fundamental eu auxiliar no bem maior, no bem comum, no apoio a outros para que suas demandas também sejam atendidas. Quando, cada um de nós colabora para um mundo melhor, o mundo pessoal de cada um também melhora.

– Interessante. É uma ação conjunta. Muitas ideias a se pensar. Um sonho, não?

– Sim, o sonho da reconciliação!

– Reconciliação, como assim?

– Exatamente. Quando olho para mim e me pego no colo, contribuo comigo, não delego aos outros a dolorosa tarefa de me curar, posto impossível. Isso é também altruísmo. Posso também aceitar o auxílio de outros e posso também, quanto mais inteira estou, ir ao socorro de muitos. Estranho, mas parece que auto amor e o amor por outros são duas faces da mesma moeda. Cada um entendendo que amar, em última instância, significa amar o outro.

– Me perdi, não falavas sobre amar a si mesmo.

– Isso é um binômio, pois a almejada felicidade não acontece em duas dimensões, dentro de nós ou fora de nós. É um fenômeno multidimensional, acontecendo na plenitude do ser, por onde quer que ele se manifeste. Qualquer um caminhando em plenitude, dará o seu melhor a favor de si e dos outros.

– Fale um pouco mais.

– Acho que há uma lição, ensinada há séculos, que resume tudo isso: Amar ao próximo como a ti mesmo!

Nesse momento, com espanto, o interlocutor olhou no fundo de seus olhos no espelho.

Irmãos M. C.

Ele é advogado, ela é psicóloga e ambos gostam de conviver, conversar e refletir sobre a vida.

Mensagens que salvam – como garantir a segurança emocional das crianças

mae e filhoPor Tania Paris

Por conta da onda do desafio da Baleia Azul, perguntei a meu neto, de 8 anos, se ele já havia ouvido falar sobre isso e o que achava. Para minha agradável surpresa, após dizer que sim, ele acrescentou:

– Não tem nada a ver entrar nisso. A Baleia Azul é ameaça e … lembra, Tania? … nós aprendemos no Zippy que ninguém tem o direito de ameaçar. “Zippy” é como as crianças se referem ao programa de Educação Emocional denominado Amigos do Zippy. Por meio de suas aulas as crianças desenvolvem habilidades emocionais e sociais para lidar com as dificuldades da vida. Uma das aulas é sobre bullying e nela os professores afirmam:

  1. Ninguém tem o direito de ameaçar outra pessoa
  2. Quem se sentir ameaçado tem o direito de pedir ajuda

Essas afirmativas são solenes, porque há a intenção de ficarem na memória das crianças da mesma forma que os pais esperam que lembrem sempre do “olhe para os dois lados antes de atravessar a rua”.

Quando nossos filhos são pequenos, quase que intuitivamente gravamos mensagens de segurança física na cabecinha deles. Lembro-me de que quando minhas filhas passaram a sair sozinhas eu pedia para que levassem “o dinheiro do ladrão” – algo para darem logo se fossem assaltadas, pois eu queria, acima de tudo, que elas não reagissem a um assalto, que tivessem calma e “uma mensagem gravada na cabeça” (foi uma mensagem dessas que me salvou um dia, norteando-me numa situação crítica). Cada vez que se despediam, eu perguntava se estavam levando o dinheiro do ladrão. Então, quando o Arthur reproduziu com suas palavras uma mensagem de segurança emocional, me coloquei a pensar na força de discutir essas importantes questões fora do perigo, exatamente para que o perigo não se aproxime.

A combinação de duas variáveis ajuda a não ser atropelado: olhar para os dois lados antes de atravessar a rua; e ter preparo físico para conseguir chegar do outro lado. A combinação de duas variáveis ajuda a não ter comportamentos autodestrutivos: ter discernimento de que qualquer opção só é boa se não prejudicar ninguém; e ter preparo emocional, por meio de habilidades emocionais e sociais, para lidar com os desafios que a vida nos apresenta.

Para conhecer o nossos programas de educação socioemocionais para crianças e adolescentes, acesse: www.asecbrasil.org.br

foto-tania-para-publicidadeTania Paris fundou a Associação pela Saúde Emocional de Crianças para dar oportunidades às crianças de aprenderem, desde muito cedo, a lidar com seus sentimentos e com as dificuldades da vida. “Amigos do Zippy” é um programa internacional de Educação Emocional, representado exclusivamente pela ASEC no Brasil, que é desenvolvido em escolas pelos próprios professores das crianças. www.az.org.br

Dando voz aos sentimentos

dando voz aos sentimentosPor: Neide Almeida

Mas, e como podemos ouvir de forma a contribuir para que o outro possa buscar dentro de si mesmo alternativas e estratégias eficazes para lidar com os sentimentos que está experimentando e as circunstâncias que está vivendo?

Pense se você já esteve na situação em que uma pessoa  compartilhou algo com você que parecia não ter muito sentido, as informações não batiam, ou a pessoa te contou novamente algo que ela já havia contado e você percebeu que o relato estava diferente do da primeira vez, ou a pessoa fez perguntas que ela mesma respondeu. Isso acontece porque essa pessoa está fazendo um esforço interno, tentando organizar seus pensamentos e nomear seus sentimentos.

Podemos ajudá-la neste processo se deixarmos nossas experiências e crenças de lado nesse momento e focarmos no que é a vivência para ela, que talvez não seja semelhante à nossa, mas é a dela e, nesse momento, ela pode descobrir mais sobre isso com a nossa ajuda.

Podemos, com a nossa escuta atenta, ser reflexo do que ela está dizendo e sentindo, para que ela se ouça. Podemos comunicar o que estamos compreendendo de forma afetuosa. Uma forma de fazer isso, por exemplo, é repetindo as últimas palavras de frases que a pessoa nos diz ou a parte relevante da narrativa ou o sentimento que percebemos  no relato.

Por exemplo, se alguém nos diz: “Hoje eu queria mais é ficar na cama, longe de tudo hoje e que esse feriado acabe logo”

Sentimento percebido – “Me parece que você está entediada…”

Parte relevante – “Estou percebendo que você queria ficar longe de tudo hoje…”

Últimas palavras – “ Você gostaria que o feriado acabasse logo não é…”

Assim, ajudamos a pessoa a se ouvir e a perceber que a estamos ouvindo também.

A compreensão empática, nos fortalece e nos ajuda a encontrar nosso equilíbrio, porque nos ajuda a entrar em contato com nossos sentimentos, ideias, crenças e pensamentos sem julgamento ou censura. Em função da importância dessa habilidade de “se ouvir” e ouvir o outro de forma empática, no Amigos do Zippy, as crianças começam a aprender desde as primeiras aulas a perceber a si mesmas e aos outros, ouvir e comunicar de forma eficaz seus pensamentos e sentimentos,  fortalecendo-se, assim, para os desafios do dia a dia.

Para saber mais sobre o Amigos do Zippy e outros programas de desenvolvimento socioemocional, acesse: www.asecbrasil.org.br ou www.amigosdozippy.org.br

 

neideNeide Almeida

Atuou por 7 anos no PróHosic em Taubaté no apoio à pacientes e familiares do Depto. de Oncologia e atuou no mesmo período no CVV – Centro de Valorização da Vida, no atendimento emocional à pessoa em crise. Há 10 anos atua  como Monitora Formadora de professores em Educação Emocional na ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças.

 

Sinto…logo existo…os sentimentos na fase da adolescência

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Por: Neide Almeida

Nossos sentimentos são nosso “sexto sentido”. Isso porque nos dizem se o que estamos experimentando é ameaçador, doloroso, lamentável, triste ou alegre para nós. Os sentimentos nos tornam humanos, nos tornando, de certa forma, “parentes” um dos outros. Os sentimentos são nossa reação ao que percebemos e, por sua vez, eles colorem e definem nossa percepção do mundo(1). Sendo assim, quando observamos as reações das pessoas, temos dicas de como elas estão avaliando a situação e se seus sentimentos são agradáveis ou desagradáveis.

No processo de desenvolvimento humano, há uma fase em que experimentamos sensações de perdas e ganhos e sentimentos múltiplos e misturados de forma especialmente intensa: a adolescência.

Nela, colocamos à prova nossos aprendizados iniciais e habilidades para lidar com o que acontece conosco nessa fase de múltiplas transformações, tendo junto com tudo isso, as nossas necessidades físicas e emocionais.  Podemos nos sentir muitos sozinhos diante de tantas mudanças, variações de humor e hormonais e tantas outras que ocorrem ao mesmo tempo, fazendo-nos sentir muitas vezes atordoados ou deslocados.

Diante desses novos desafios, reagimos utilizando os recursos que fomos acumulando ao longo da nossa vivência até então. Portanto, ao observarmos as reações dos adolescentes, podemos nos dar conta das dificuldades vividas nessa fase da vida para podermos ajudar.

Algumas formas de ajuda podem ser, por exemplo, considerar importante suas incertezas, seus sentimentos e facilitar o desabafo.  Muitas vezes eles procuram os iguais para que sua linguagem seja compreendida, porque compartilham vivências semelhantes e para que eles possam – se não resolver a questão -, oferecer apoio uns aos outros, às vezes pelo simples fato de compartilharem o fato de se sentirem “estranhos no ninho”, sem se  culpar por chegarem à adolescência.

É nesse momento que o apoio pode fazer a diferença no enfretamento dessa fase, mantendo viva a comunicação de sentimentos, compreendendo as características da adolescência, buscando estratégias para lidar com os anseios e expectativas dessa passagem de tantas descobertas. Nutrir essa relação é importante para ajudar os adolescentes a superar essa fase buscando e descobrindo formas de lidar com as dificuldades que os ajudem a se sentir melhor, a lidar com as situações que estão vivendo e sem prejuízo para si ou para outros.

O programa Passaporte: Habilidades para a Vida, propicia aos adolescentes um espaço de troca e descobertas de forma com que  cada um – de forma saudável –  possa buscar saídas experimentando, estimulando o grupo a pensar,  aumentando os recursos que irão acompanhá-los no momento presente e ao longo de toda a vida.

(1) Trecho extraído do livro “A linguagem dos sentimentos”, de David Viscott

 

 

 

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Neide Almeida

Atuou por 7 anos no PróHosic em Taubaté no apoio à pacientes e familiares do Depto. de Oncologia e atuou no mesmo período no CVV – Centro de Valorização da Vida, no atendimento emocional à pessoa em crise. Há 10 anos atua  como Monitora Formadora de professores em Educação Emocional na ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças.

Você já evitou falar de algum assunto pra não se sentir mal?

boca tampada

 

 

Por: Daniela Selingardi

 

Quantas vezes diante de uma situação temos tantos sentimentos juntos que parece que não vamos dar conta? Principalmente quando são desagradáveis e nesses casos por vezes tentamos fugir ou fazer qualquer coisa para não passar por isso novamente, não é mesmo? Essa tentativa de se proteger é tão natural quanto frágil. Pois logo estaremos passando por algo semelhante e muitas vezes pela mesma situação.

Sim, essa reação é natural e importante entendermos isso para compreender como agimos e como podemos agir de maneira mais assertiva.

Você pode descobrir formas adequadas de agir e quando fazê-lo. Lembre-se não há tempo “certo” ou único caminho. Segue abaixo algumas dicas.

Preste atenção aos seus sentimentos diante das situações, se eles forem desagradáveis, possivelmente você está enfrentando dificuldades. Mesmo que isso ocorra todos os dias e você acredite já estar acostumado. Então, identifique quais sentimentos estão presentes, tente nomeá-los. No início, esse exercício de diferenciar os sentimentos pode ser um pouco mais difícil, mas com o treino ficará mais fácil.  É como quando você chega em casa e encontra seu filho com vários amigos,  você começa a perguntar o nome tentando identificar cada um.

Esse é um passo importante, pois o que você precisa quando está triste pode ser diferente de quando está com raiva.

Agora que você já sabe o que sente, o próximo passo é buscar fazer algo para se sentir melhor – e essa habilidade é tão importante para nossa Saúde Emocional quanto à capacidade de resolver as situações ou pensar em soluções para elas. Por isso, por enquanto, vamos nos focar nela. O convite é para você descobrir o que pode fazer para se sentir melhor nessas situações. Podem ser coisas simples, mas busque a cada dia aumentar sua lista.

É como ter uma picada de abelha e o ferrão ainda está lá, mas você pode se sentir melhor se conseguir aliviar a dor ou incômodo. Estudos da Psicologia Positiva nos mostram que quando conseguimos pensar ou fazer algo agradável, somos inundados por hormônios que funcionam como agente protetor contra o estresse frente à situação.

É como aquele momento que por algum motivo nos distraímos e conseguimos dar risada. O problema ainda está lá. Mas, quando olhamos para ele, estamos nos sentindo um pouco mais leve e então fica mais fácil achar a saída.

Por isso é tão importante dedicarmos um tempo para pensar no que podemos fazer para nos sentirmos melhor. Isso nos ajudará a escolher as formas de agir que mais nos ajudam no momento que vivenciamos sentimentos desagradáveis.

Mesmo que o problema não seja resolvido, podemos nos sentir cada vez mais fortalecidos para olhar para ele, falar do assunto, pensar como seguir adiante e ajudar quem está a nossa volta a lidar com as situações que não podem ser mudadas.

Esse exercício é ensinado pelo programa Amigos do Zippy, de forma que as crianças se sentem estimuladas em aumentar sua lista de opções.

Que tal experimentar? Deixe seu comentário nos dizendo como foi.

WhatsApp Image 2017-02-15 at 18.30.37Daniela é Psicóloga, Mestre em Psicologia escolar e desenvolvimento humano pelo Instituto de Psicologia da USP/SP e monitora certificada para formação de docentes em desenvolvimento de competências socioemocionais pela ASEC.

A habilidade de fazer escolhas

choose-the-right-direction-1536336_960_720Por: Andréa C. Monteiro

Normalmente somos muito estimulados a buscar soluções – rápidas, preferencialmente – para resolver nossos problemas. O que normalmente não aprendemos é como podemos encontrar boas soluções.

Lidar com dificuldades de forma produtiva envolve, claro, uma gama de habilidades cognitivas, emocionais e sociais. Habilidades que podem ser desenvolvidas em crianças, jovens ou mesmo adultos, e que servem como ferramentas tanto no enfrentamento das adversidades, quanto na busca do bem estar, seja individual ou coletivo.

Não se trata apenas de entender uma situação e conhecer diferentes estratégias para lidar com ela. Mas, sobretudo, da nossa capacidade de fazer perguntas e do nosso autoconhecimento. Afinal, independente de quantas soluções você conheça ou que lhe sejam sugeridas, cabe a você somente analisar qual delas responde às suas necessidades, considerando aquela situação específica, naquele momento de sua vida. Estas são as verdadeiras escolhas.

Ocorre que nem sempre podemos mudar uma situação. Ainda que ela represente uma grande dificuldade para você – e que você sinta que existe uma solução! Mesmo assim, há coisas que simplesmente não podemos mudar. E insistir na busca de soluções neste caso pode representar esgotamento emocional e desgaste de relações – especialmente quando nossas soluções envolvem expectativas com relação a outras pessoas (cada uma delas, buscando também soluções para suas próprias dificuldades…).

Daí a importância de saber diferenciar as situações que podemos mudar daquelas que não podemos mudar. Para aquelas que podemos mudar, podemos mobilizar nossas habilidades e exercitar escolhas. Mas, e para aquelas que não podemos mudar? Podemos desistir – sim, podemos! – de tentar mudá-las para que possamos cuidar de nós mesmos.

Reconhecer que uma situação não pode ser mudada, afinal, pode gerar uma grande frustração, dentre outros sentimentos. E quando estamos diante de adversidades, estes sentimentos se somam àqueles inerentes a própria dificuldade. Por isto, cabe a nós buscar estratégias para cuidar destes sentimentos. Embora estas alternativas nem sempre sejam reconhecidas como escolhas, uma vez que não estão voltadas para a solução do problema em si e podem ser vistas como “fugas”, quando agimos de forma consciente na busca de alternativas para nosso bem estar, estamos fazendo também escolhas em prol de nossa saúde emocional. E isto é algo que você pode mudar desde já: que tal pensar em algo para te fazer sentir bem agora?

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Andréa C. Monteiro

Psicóloga, psicopedagoga e mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, atua na área de Educação Emocional há  10 anos.

Amigos do Zippy na prática: Um depoimento emocionante – parte 1

WhatsApp Image 2017-02-23 at 16.32.10Comentários: Katia Negri

Olá, me chamo Carolina Soledad Fortunato Silva e sou professora de Educação Infantil e Fundamental I. Fui convidada pela ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças, a contar um pouco da minha experiência com o programa Amigos do Zippy, devido à paixão que o programa me devolveu após 16 anos trabalhando. Não que tivesse perdido o amor por ensinar, mas o programa me trouxe novas ferramentas para o trabalho que desenvolvo na prefeitura de São Paulo, com minhas turmas do Fundamental I.”

Amigos do Zippy: Muitos professores, assim como a Carolina, relatam que adquirem novas ferramentas para lidar com algumas situações em sala de aula ao desenvolverem o Amigos do Zippy. Mas, que ferramentas são essas?

Ao participar dos encontros de capacitação oferecidos pela ASEC (cuja metodologia é reconhecida pelo MEC e incluída em seu Guia de Tecnologias Educacionais da Educação Integral e Integrada), os professores são levados a refletir a respeito de várias situações do dia a dia, através da perspectiva das emoções.

O efeito disso, em muitos casos, é uma maior aproximação entre professores e alunos, além do uso de diversas técnicas e perguntas que fazem parte do programa, favorecendo o desenvolvimento emocional das crianças, e auxiliando o professor a encontrar caminhos mais eficazes.

Um bom exemplo de situação do cotidiano escolar, que frequentemente ocorre, e em muitos casos o professor despende muito tempo para mediar, são os conflitos entre alunos. Os relatos de professores que participam do Amigos do Zippy apontam que tanto os alunos aprendem a resolver conflitos com mais autonomia, quanto professores também aprendem as técnicas oferecidas pelo programa (ferramentas) para estimular os alunos e favorecer o seu desenvolvimento.

Desde o início da minha carreira, sempre busquei diversos caminhos para conseguir atingir meus alunos e a questão sócioemocional sempre foi um deles, isso, devido à realidade que nossos alunos vivenciam.

Como professora da rede pública sempre tive muito claro, que não seria fácil apresentar o mundo à crianças, que, em sua grande maioria vivem situações de risco ou situações que adultos com sua maturidade, não tem preparo algum para resolvê-las. Trazer a esperança às crianças mostrando à elas, que são capazes de realizar o que desejarem com destreza e competência, era um dos meus caminhos.

Dizer que acredito que cada um deles é capaz e que podem melhorar suas vidas era já pra mim apaixonante, pois não havia nada mais bonito do que ver em seus olhinhos brilhantes a gratidão e a esperança, para aí sim, depois de restaurar a auto estima entrar com o conhecimento. É claro, que minhas ações até então foram muito intuitivas. Até conhecer o “Programa Amigos do Zippy”, que me trouxe embasamento e mostrou-me caminhos que tiveram resultados indescritíveis. “

Amigos do Zippy: Costumamos dizer que o professor é a alma do programa Amigos do Zippy, por isso, a ASEC, como representante exclusiva do programa no Brasil, investe na capacitação desse educador, acompanhando-o e apoiando-o durante todo o desenvolvimento do programa.

Os resultados podem ser observados por meio das diversas avaliações realizadas, evidenciando seu impacto nas transformações emocionais, sociais e acadêmicas das crianças.

Esses resultados estão em sintonia com as elevadas aspirações do Sistema Educacional Brasileiro, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais que enfatizam, no contexto dos objetivos de Língua Portuguesa e de Matemática para o 1º ciclo, valores, normas e atitudes, essencialmente, em termos de respeito ao próximo, valorização da cooperação, interesse por ouvir e manifestar sentimentos e preocupação com a comunicação interpessoal.

“Quando trabalhamos com competências emocionais, estamos falando de: consciência emocional, adequação emocional, autonomia emocional, habilidades socioemocionais, habilidades para a vida e o bem-estar emocional, entre outras. Presentear as crianças com o desenvolvimento destas habilidades é presentear com uma luz ou um caminho que antes parecia não existir.

O Programa chegou até mim num ano bastante difícil, em que dava aula para uma turma que trazia para a sala de aula problemas sociais bastante complexos. Crianças com histórias de abandono, violências emocionais e sociais, e, algumas até físicas.

Claro, que a agressividade deste grupo era grande, deles com eles mesmos, com colegas, com a vida. Eu sabia que tinha em minhas mãos pequenas pedras preciosas que estavam presas, encrustadas, e que precisavam apenas de orientação e apoio para se libertarem e seguirem seus caminhos com o brilho intenso que cada uma tem.”

Amigos do Zippy: Todos nós enfrentamos situações difíceis em nossas vidas, que despertam em nós sentimentos desagradáveis, como tristeza, raiva, medo e muitos outros. E sabemos que com as crianças não é diferente. A professora Carolina relatou acima algumas dificuldades que os alunos vivenciam no contexto em que atua, e certamente é fundamental que desenvolvam recursos para lidar com essas demandas.

A boa notícia é que o programa Amigos do Zippy é universal, ou seja, independente do contexto, cultura, situação sócioeconômica em que a criança esteja inserida, ela será beneficiada ao participar do programa! Afinal, todos nós temos sentimentos e precisamos aprender a lidar com eles, não é mesmo?

Na próxima semana vamos publicar aqui no Blog a segunda parte do depoimento da professora Carolina, com relatos sobre os impactos do programa Amigos do Zippy em seus alunos e também na sua vida pessoal!

Se você quer saber mais sobre o Programa Amigos do Zippy e como participar, acesse nosso site e entre em contato conosco:

www.az.org.br

Resolução de Conflitos

Untitled designPor: Andréa Monteiro

No trabalho, no trânsito, na vizinhança ou mesmo em casa, todos nós lidamos com conflitos em nossa rotina. Mas, apesar da sua frequência e do impacto que eles podem ter em nossas relações pessoais ou profissionais, normalmente não aprendemos a lidar com eles de forma produtiva. Por isso, quando pensamos em Educação Emocional, esta é uma das habilidades centrais que buscamos desenvolver nas crianças – e adultos!

E o que é, afinal, um conflito?

“Como seres humanos, estamos incluídos em um ambiente de constantes relações pessoais, sociais, profissionais e comerciais. Em muitas dessas situações, vivenciamos a diferença no modo de pensar, de agir, de ver o mundo e de julgar a realidade que compartilhamos com o outro. Nossas preferências, necessidades, interesses e vontades nem sempre estão alinhadas com as preferências, necessidades, interesses e vontades do outro (seja ele um indivíduo, um grupo de pessoas ou uma empresa). Isso é absolutamente natural. Contudo, quando essas divergências são percebidas como ameaças ao que é importante para cada um de nós, configura-se uma situação que podemos chamar de conflito” (Bastos e Corrêa, 2015).

Quando nos sentimos ameaçados em nossos interesses ou necessidades, nos sentimos em conflito com o outro. O que pode gerar muitos sentimentos desagradáveis e reações que nem sempre contribuem para uma resolução produtiva. Não à toa, um ditado popular diz que “a raiva cega”, não é mesmo?

Daí o primeiro passo para sua resolução ser na busca de estratégias para nos sentirmos melhor com relação a estes sentimentos. Quando conseguimos cuidar de nossos sentimentos, temos mais chances de entender o problema com mais clareza e buscar mais alternativas para sua solução.

O segundo passo para a resolução de conflitos, nesta perspectiva, é entender o problema. Ou seja, entender quais são os interesses e necessidades que estão em jogo. Se conseguimos pensar nestes termos, podemos pensar em um número maior de alternativas adequadas para conciliar estas necessidades – o que constitui o terceiro passo. Quer um exemplo?

Vamos imaginar que você tem um vizinho que toca bateria. E frequentemente você o escuta tocar em momentos em que você está cansado, o que o deixa irritado, com raiva. Esta situação pode acabar gerando muitos desentendimentos, certo? Mas se procuramos olhar o problema do ponto de vista das necessidades envolvidas, o que pode estar em jogo? Você gostaria de silêncio porque tem necessidade de descansar. Por outro lado, seu vizinho está aprendendo a tocar e pode até mesmo ter intenções de transformar isso em uma atividade profissional, logo, ele tem necessidade de treinar, não é mesmo? Como solucionar? Agora, vamos imaginar que você já conseguiu pensar em várias coisas para se sentir melhor. Que tal experimentar pensar em ao menos três soluções para este conflito? Depois de escolher as soluções, o quarto e último passo será considerar qual é a mais adequada para sua situação, considerando todos os aspectos envolvidos.

O processo descrito acima para a resolução de conflitos é utilizado no programa Amigos do Zippy. Ele é apresentado para as crianças como os “4 passo para uma boa solução”:

  1. Fazer alguma coisa para se acalmar
  2. Entender o problema
  3. Pensar em muitas soluções
  4. Escolher a melhor solução

Processos como este podem ser entendidos como processos com “clima de cooperação”, tal como descrito por Simone Bastos e Marcelo Corrêa, da Escola Nacional de Mediação e Conciliação (2015). O clima de cooperação implica em ser protagonista da solução, entendendo que o outro é parte desta solução. Enquanto o “clima de competição e adversidade” implica em resoluções que envolvem desde a atribuição da responsabilidade para uma terceira pessoa, como um juiz no caso de um processo judicial, até a atribuição da responsabilidade ao outro, envolvendo ameaças e mesmo violência física e psicológica.

Embora ainda seja muito frequente resolvermos nossos conflitos em um clima de competição e adversidade, os autores apontam que muitas iniciativas – inclusive do próprio Poder Judiciário – têm contribuído para buscarmos cada vez mais soluções com um clima de cooperação. Estas soluções dão mais autonomia para os envolvidos, têm impacto muito menor nas relações e têm como resultado uma relação de ganha-ganha – ou seja, com benefício mútuo. O que só corrobora o peso que soluções pacíficas podem trazer também para a nossa Saúde Emocional.

Bastos , Simone de Almeida Ribeiro e Corrêa, Marcelo Girade. Resolvendo conflitos de forma produtiva: a contribuição de cada um para uma cultura da paz. Brasília: Escola Nacional de Mediação e Conciliação, 2015.