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Você tem uma vida plena e feliz?

 

bem estarPor: Katia Negri

“É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração”, já dizia Vinícius de Moraes! Com toda a admiração e respeito ao poeta, gostaria de perguntar: Será mesmo que é melhor ser alegre que ser triste, e que a alegria é a melhor coisa que existe? Parece uma pergunta tola e sem sentido não é mesmo? Mas, vale a pena refletir um pouco sobre as mensagens que recebemos desde a infância a respeito dos nossos sentimentos e dos padrões que algumas vezes são impostos a nós.

Recentemente encontrei um álbum de fotografias antigas, e ao folheá-lo me deparei com meu rosto de menina, e com um sorriso forçado e espremido no canto da boca. Então, me lembrei da minha mãe, na hora de tirar o retrato, dizendo: “Cadê o sorriso”? E nós, para embelezar a foto e eternizar o momento feliz (mesmo que não fosse tão feliz assim) mostrávamos os dentes para agradá-la! Guardar a imagem das suas três menininhas sorrindo era intenção da minha mãe e eu a agradeço por isso, pois hoje temos nossas recordações de infância, que inclusive estão me inspirando para redigir este texto.

Mas, observando aquelas fotos me dei conta que mostrar felicidade ao mundo parece uma espécie de obrigação, você já notou? E hoje, me pergunto se o sorriso amarelo e forçado da infância não se reflete nas famosas “selfies”, nas respostas: “tudo bem comigo” (mesmo quando tudo vai mal), e no velho hábito de vestir a “máscara da felicidade”.

Sentir alegria sem dúvida é muito prazeroso e agradável, ao passo que sentir tristeza nos traz desconforto, concorda? Então, se pudéssemos escolher afastaríamos a tristeza e ficaríamos somente com as boas sensações que a alegria provoca em nós!

Mas, isso não é possível e essa é uma boa notícia, acredite! Sempre que sentimos tristeza ou qualquer outro sentimento que nos incomoda, como raiva, angústia, medo, entre outros, significa que estamos diante de algo que é percebido por nós como ameaçador e os nossos sentimentos surgem para sinalizar isso. Quer alguns exemplos? Perder alguém que amamos pode ser percebido por nós como uma ameaça, não ser reconhecido por um trabalho que desempenhou pode ameaçar nossa autoestima, e por aí vai….. E isso inclui não somente situações reais, mas também lembranças e pensamentos. Você já se sentiu triste ao lembrar de alguma situação que aconteceu no passado?

Desta forma, se estivermos atentos aos sinais (nossos sentimentos), podemos nos conhecer melhor, e um bom começo é respeitarmos e compreendermos que os sentimentos são naturais e, portanto, não podemos controlá-los ou  escolhê-los! Reconhecê-los e identificá-los é o primeiro passo no caminho do autoconhecimento para uma vida mais saudável emocionalmente.

Agora, imagine se ao longo da vida evitamos entrar em contato com as nossas dores e tristezas? O que você acha que pode acontecer? Com o passar do tempo é possível que nos distanciemos de nós mesmos, das nossas verdades, daquilo que sentimos de fato, para aparentar aquilo que é esperado socialmente.

Quando estamos atentos às nossas emoções e necessidades, podemos fazer algo para aliviar quando surgir um sentimento que provoque desconforto. Sempre podemos fazer algo para cuidar de nós mesmos e nos sentirmos melhor! Tomar um café, um banho quente, conversar com alguém, dormir, chorar…. Tudo aquilo que pode nos ajudar a aliviar nossos sentimentos e que não tenha conseqüências negativas é válido! O que você faz para se sentir melhor quando está triste, por exemplo?

Você sabia que é possível aprender esse tipo de autocuidado de forma sistematizada desde a infância? Por meio dos programas de Educação Emocional, as crianças e os jovens desenvolvem habilidades emocionais e sociais, e ficam mais abastecidos e instrumentalizados para a vida! Fica aqui o convite para que você possa conhecer os programas Amigos do Zippy e Passaporte: Habilidades para a Vida: acesse nosso portal www.asecbrasil.org.br. Vamos investir na Educação Emocional dos pequenos!

E para terminar, como disse o mestre Vinícius, “a alegria é como a luz no coração”, mas a tristeza, o medo, a angústia, o amor, a raiva, e todos os outros sentimentos fazem parte de nós, e são importantes. Reconhecer isso contribui para uma vida plena, com mais Saúde Emocional e, portanto, mais feliz também!

É verdade que raiva é uma forma de sofrimento emocional?

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Por Tania Paris

Crianças, como adultos, reagem aos acontecimentos da vida sentindo prazer, alegria, euforia, raiva, tristeza, frustração, ou uma infinidade de outros sentimentos. Uma parte deles é bem-vinda, a outra gera sofrimento.

Sim, e para usar a raiva, tão emblemática, como exemplo, precisamos ponderar que estar com raiva significa estar em sofrimento emocional. Ela pode ter sido originada por qualquer perda, por ser privado de uma diversão que queria, de um brinquedo que quebrou, da atenção da mamãe que foi toda para o irmãozinho. Seja qual for o motivo, justificável ou não, a sensação de perda ocasiona sofrimento e é aí que começam muitas das crises em família.

De um lado, estão a mamãe e o papai, cientes de que a privação é plenamente justificável e necessária. É claro que a criança não pode ter tudo o que quer na hora em que quer.

Do outro lado, está aquele pequeno ser que realmente está sofrendo porque não pode continuar jogando videogame até altas horas da madrugada.

Racionalmente, a razão está com os pais, que nem precisariam discutir o problema com a criança. Emocionalmente, a criança pode estar presa numa armadilha: quanto mais os pais explicam porque é hora de dormir, mais ela se sente perdendo o jogo, o controle da situação, o afeto dos pais que iniciaram o processo com toda a paciência do mundo e, lá pelas tantas, estão com mais raiva do que ela.

Ops! Voltando ao início: interromper o jogo gera sofrimento. Vamos ao encontro desse sofrimento? Podemos e devemos manifestar que entendemos que ele (a) está sentindo algo muito desagradável e queremos estar juntos para ajudar a fazer essa sensação ruim passar. O que a criança acha que pode ajudar a fazer passar essa sensação?

Observe que oferecer um beijinho atenderia ao seu anseio de acolher a criança, não o dela. Só ela sabe o que ajudaria, a ela, a sentir-se melhor quando acabou de constatar que terá de perder o que quer. E perguntar a ela o que a ajudaria vai dar a ela o aprendizado de inverter o foco: tirar o foco do videogame e colocar em si mesma, no que está sentindo.

O aprendizado de perceber o que está sentindo e buscar maneiras de sentir-se melhor é o b + a = ba, da alfabetização emocional. E, claro, todos queremos nossos filhos proficientes em lidar com seu universo interior.

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Tania Paris fundou a Associação pela Saúde Emocional de Crianças para dar oportunidades às crianças de aprenderem, desde muito cedo, a lidar com seus sentimentos e com as dificuldades da vida. “Amigos do Zippy” é um programa internacional de Educação Emocional, representado exclusivamente pela ASEC no Brasil, que é desenvolvido em escolas pelos próprios professores das crianças. www.az.org.br

Amigos do Zippy na prática: Um depoimento emocionante – parte 2

WhatsApp Image 2017-02-23 at 16.32.10Comentários: Katia Negri

“Olá, me chamo Carolina Soledad Fortunato Silva e sou professora de Educação Infantil e Fundamental I. Fui convidada pela ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças, a contar um pouco da minha experiência com o programa Amigos do Zippy.”

“Nesse primeiro ano com o programa me senti bastante insegura principalmente por não receber de imediato uma resposta dos alunos. Parecia que não alcançaria nenhum resultado. Foi então, que o Programa Amigos do Zippy mostrou mais uma faceta que não é só a do apoio aos alunos, mas também aos professores. Me passaram tranquilidade e carinho dizendo que tudo tem o seu tempo, foi imprescindível para seguir em frente. E o primeiro retorno veio na reunião de pais do segundo bimestre, que para minha surpresa lotou a sala de pais, sim, surpresa, pois na primeira reunião do ano não tive nem metade dos pais o que me deixou bastante frustrada, já que para ter um trabalho coerente é necessário conhecer e trabalhar com a família dos seus alunos. Mas, estavam TODOS lá! Querendo entender o que estava acontecendo com seus filhos, que estavam tão mudados e falando sobre sentimentos e emoções. UAAAAUUUUU!!!! É o que vocês estão pensando sim, o “Programa Amigos do Zippy” me deu o grande presente de trazer os pais e de poder seguir firme com meu trabalho. “

Amigos do Zippy: Que conquista maravilhosa, não é mesmo? Vamos entender como tudo isso aconteceu:

O Amigos do Zippy favorece o desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais, mas como as crianças desenvolvem essas habilidades?

Vamos pensar em um exemplo, imagine alguém que está aprendendo a nadar. São diversas etapas e exercícios até que a pessoa consiga mergulhar na piscina e nadar sem nenhum apoio, como uma bóia ou outro artifício. Em termos de processo, foi necessário também um investimento de tempo para desenvolver a habilidade de nadar, sendo que cada um vai aprendendo no seu ritmo, alguns precisam treinar mais, e outros com menos tempo, já são capazes de atravessar a piscina!

No Amigos do Zippy, as crianças participam de 24 aulas, e têm a oportunidade de exercitar, tanto na escola quanto na vida em geral, independente do contexto em que estão inseridas, o que aprendem no programa, e cada uma se desenvolve no seu tempo.

Alguns indicadores como: oferecer ajuda a irmãos e amigos, fazer amigos com facilidade, dizer como se sente e por que, conseguir se controlar quando tem raiva, são elementos que permitem a busca de evidências de impacto do programa nos alunos. Professores, pais e responsáveis são convidados a observar os comportamentos das crianças, e assim como relatou a professora Carolina, muitos pais evidenciam os ganhos que seus filhos tiveram ao participar do Amigos do Zippy.

“Foi então que compreendi, que as crianças não me traziam respostas, porque estavam elas mesmas resolvendo suas questões em casa, onde era a origem do problema.”

Amigos do Zippy: Muitas crianças enfrentam dificuldades em casa e também em outros contextos. No programa as crianças aprendem que podem e devem utilizar-se das ferramentas do Amigos do Zippy em qualquer situação, afinal as dificuldades podem surgir a qualquer momento em nossas vidas não é mesmo?

“ Me deparei com uma força que jamais havia experimentado. Quanta energia bela meu Deeeeeus!!!! O bacana é que a proposta do programa não é a de necessariamente resolver os problemas, mas sim, de propiciar às crianças instrumentos para que possam lidar com suas emoções, para que dentro de suas vivências possam ter ferramentas para se sentirem melhor e com isso alcançar uma vida mais saudável. Mas, a coragem destas crianças era tamanha que foram de cara resolver suas questões com seus familiares. Na sequência, o trabalho começou a aparecer também na escola. As crianças aos poucos deixaram de ter explosões de emoções e agressividade, não vi mais mesas e cadeiras sendo chutadas. As brigas reduziram de maneira incrível e então houve espaço para receber em suas vidas o conhecimento que deveriam receber. Tive muitos momentos individuais para ouvir as crianças e pude perceber como aos poucos iam se apropriando desta habilidade que é se conhecer, entender como se processa em seu corpo cada sentimento, quais são seus limites e ajudá-los a descobrir o que poderiam fazer para cuidar de seus corações e se sentirem melhor diante de cada sentimento, foi para encher o meu coração de amor. “

Amigos do Zippy: Os alunos da professora Carolina aprenderam a identificar seus sentimentos, e escolher melhores estratégias para se sentirem melhor, que não prejudiquem nem a eles mesmos, nem aos outros. Assim, as respostas agressivas tendem a diminuir, como comentou a professora, pois as crianças sabem que podem buscar outras alternativas e são capazes de avaliar consequências.

“Pude auxiliar uma família linda a lidar com a morte de um familiar que a criança acabou presenciando, isso devido a uma palestra extra oferecida pelo programa e grande apoio da minha orientadora do Zippy. Terminei o ano com famílias me agradecendo emocionadas e com um olhar diferente. Como podem ver, o Programa não cuida somente dos alunos, mas também dos professores, pois nesse ano descobri que estava com depressão e mesmo assim não quis deixar de trabalhar, me entreguei ao tratamento e passei a aplicar comigo e com minha família o “Zippy”. Com o tratamento, me conhecendo melhor e aprendendo a cuidar dos meus sentimentos, deixei os remédios com apenas 2 meses. “

“No segundo ano, as crianças responderam mais rapidamente, pois as questões emocionais eram mais suaves e venho percebendo que estão amadurecendo cada dia mais, que estão se sentindo mais seguras e desabrochando com muito mais saúde e tranquilidade. Conseguem perceber e identificar seus sentimentos, comunicar o que sentem com mais clareza e conversar com quem lhe são importantes para solicitar ajuda na resolução dos problemas, porque não é errado sentir seja lá o sentimento que for. Se sentimos é porque estamos vivos e somos seres humanos. O que faremos com nossos sentimentos é que é o importante. Hoje, estes alunos, falam de situações difíceis como a morte com serenidade, entendendo que dói e que essa dor deve ser vivida, mas que é um processo que faz parte da vida. E que lindo é viver! E que lindo é ter acesso a um projeto de tamanha importância e com tão importante foco e resultado, como é o “Programa Amigos do Zippy””.

E você? O que está sentindo hoje?

Amigos do Zippy: Querida professora Carolina, ficamos felizes em saber que o Amigos do Zippy impactou a sua vida, além de todos os benefícios oferecidos aos alunos. Esse também é o relato de muitos outros professores que o desenvolvem!

 Agradecemos seu depoimento, repleto de afeto e esperança, e seguimos juntos, com você e com os milhares de professores que também se empenham para oferecer a Educação Emocional para nossas crianças!

Nossa admiração e gratidão!

Equipe ASEC.

 

Livros podem ajudar as crianças na compreensão de sentimentos

Quando nos referimos ao tema da educação emocional, uma pergunta que recebemos frequentemente é a que aborda quais são as habilidades que precisam ser aprendidas durante a infância.

Em relação às habilidades emocionais que contribuem para nossa formação, uma das fundamentais e iniciais é aprendermos a identificar nossos próprios sentimentos e validá-los, isto é, reconhecer que os sentimentos existem, que são diferentes e que se manifestam em nós, de forma espontânea.

Aprender a reconhecer sentimentos e nomeá-los compõe a nossa capacidade de autopercepção e facilita tanto a compreensão de nós mesmos, como a nossa capacidade de empatia em relação aos outros.

No Programa Amigos do Zippy, essa habilidade está no módulo inicial dada a importância que tem. As crianças aprendem que os sentimentos são naturais e que, de vez em quando, todas as pessoas podem se sentir tristes, por exemplo. Nas aulas que se seguem, as crianças identificam outros sentimentos como: alegria, raiva, ciúme e nervosismo, praticam dizer como se sentem em diferentes situações e buscam maneiras de se sentir melhor. O exercício frequente de reconhecer sentimentos em si e nos outros vai se tornando algo comum e espontâneo nas crianças, conforme o programa avança.

Além de atividades específicas e essenciais para desenvolver as habilidades na escola, existem outros recursos que podem contribuir com o processo das crianças, como jogos ou livros de histórias, por exemplo.

Escolhemos dois livros recomendados por um guia organizado por Partnership for Children (entidade responsável pelo programa Amigos do Zippy), chamado Bons Livros para Momentos Difíceis. Os títulos que compõem o Guia foram selecionados por especialistas, devido à qualidade das histórias e ilustrações.

Os livros podem ser lidos para ajudar crianças a lidar com situações difíceis, especificamente, mas também, podem ser aproveitados a qualquer momento.

 

download “O sapo está triste” – É um livro delicado e sensível livro sobre sentimentos como alegria e tristeza. O livro conta a história de um sapo que acorda se sentindo triste, sem saber o porquê. Seus amigos tentam animá-lo, porém, não conseguem. A música do violino do rato o faz chorar, mas de repente, ele começa a rir novamente.
Autor: Max Velthuijs
Editora: Martins Fontes

 

 

 

2938030“O sorriso de Augusto” – O livro conta a história de um tigre chamado Augusto que está triste, pois perdeu seu sorriso. Sem saber onde encontrá-lo, ele inicia uma busca, mas sem sucesso. Somente quando vê seu sorriso refletido em uma poça d’água, ele se dá conta de que sempre terá seu sorriso – toda as vezes que estiver feliz – e que a felicidade está nas pequenas coisas.
Embora a história pareça muito simples, ela pode motivar as crianças a falar sobre seus sentimentos.

Autor: Catherine Rayner
Editora: Casulo Editora

 

 

 

 

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