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Pelo direito de ter quem nos escute

ouvindo c olhos

Por: Alessandra Calbucci

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória.

Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar.

Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória.

Mas acho que ninguém vai se matricular.”

Rubem Alves.

Vai me dizer que você não conhece alguém que diz: “eu tenho direito de falar o que eu penso” e, muitas vezes, diz uma série de coisas, sendo indelicado, grosseiro e não considerando que o que está dizendo pode ferir as pessoas?

Esse “direito” tem sido usado constantemente pelas pessoas como permissão para magoar, agredir e impor verdades como se fossem universais, porque elas entendem que o seu ponto de vista é o correto, e acreditam que têm sempre razão. É claro que todos podem expressar suas ideias, mas o direito de falar, não deveria ser acompanhado do dever de escutar?

Será que em alguns momentos nós também agimos desta maneira? E isso não significa que sejamos cruéis. Como todos os costumes, talvez nem tenhamos refletido sobre isso, porque simplesmente estamos seguindo a “onda do direito de falar”. Já viu discussões sobre política, futebol e religião que acabam em verdadeiras guerras?

Não? Então procure algum post no Facebook sobre esses temas e você se surpreenderá com desrespeito e ofensas. A vida virtual muitas vezes pode se assemelhar à vida real. Nessas discussões, amigos de infância podem brigar para sempre, parentes passarem a se evitar, pessoas que antes eram importantes serem excluídas do Facebook e da vida.

Nesse momento em que “falar muito e escutar pouco” parece que virou lei, observo que tem gente demais falando e gente de menos escutando.

E qual o resultado disso? As pessoas se afastam emocionalmente. Porque grande parte das vezes, precisamos de alguém para nos escutar e não para falar mais do mesmo.

Você já parou para pensar se suas palavras afastaram alguém importante da sua vida? E você, já se afastou de alguma pessoa por ter considerado que a fala dela foi inadequada?

Na maioria das vezes o que ela pensa, você já sabe. E ela também sabe o que você pensa.

A dúvida é se você ou o outro tem a capacidade de, realmente, escutar.

Veja bem, estamos falando aqui sobre a palavra ESCUTAR. Não simplesmente ouvir. Ouvir quase todo mundo é capaz.

Escutar significa prestar atenção no outro, entender o que ele está dizendo, perceber seus sentimentos e poder compreender seu ponto de vista mesmo quando diferente do seu.

Qual a pessoa que você procura quando quer conversar, quando precisa de ajuda? Qual a sua relação mais prazerosa? Com quem gosta realmente de estar? Com pessoas que só falam, que dizem o que “dá na telha”, ou com as que escutam você?

Escutar é um dos caminhos para ter INTIMIDADE com outras pessoas. E intimidade é o antídoto para a SOLIDÃO. Escutar permite que uma pessoa consiga se colocar no lugar do outro. Isso se chama empatia. E a empatia nos aproxima.

Não importa quantos relacionamentos você tem, a quantidade não faz com que você se sinta menos solitário.

Se você tiver apenas um relacionamento íntimo, em que há espaço para a fala cuidadosa, gentil, com o intuito de ajudar um ao outro e uma escuta acolhedora, atenta, isso poderá contribuir para que a solidão se afaste de você.

Por esse motivo, pode ser importante cuidar do que falamos, treinarmos a escuta e tentarmos compreender com o coração o que o outro está dizendo, se não quisermos afastar as pessoas.

Se você se sente mal com as palavras ou a forma que o outro está falando com você, que tal avisá-lo que você está se sentindo desrespeitado, e que não está gostando da conversa?

E se isso não adiantar… Meu amigo, respeite o meu direito de ir buscar alguém que me escute de verdade.

Foto Ale

Alessandra é Psicóloga e coach há 20 anos e é apaixonada pelo universo emocional da mulher. Realiza workshops, palestras e psicoterapia em grupo com esse enfoque, além de atuar na ASEC como monitora, capacitando educadores em saúde emocional de crianças.

Resolução de conflitos

1_meninas-conversandoO texto índice desta semana indexa as publicações de nosso blog relacionadas à resolução de conflitos, incluindo o bullying. Se você tem interesse no desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais de crianças, jovens e adultos, junte-se a nós!

Aprender a resolver conflitos fortalece nossas relações e promove saúde emocional

Conflitos podem surgir em qualquer relacionamento: seja com amigos ou cônjuges, colegas de trabalho ou de escola, e até mesmo com desconhecidos em uma fila de banco ou no trânsito. Eles fazem parte da nossa rotina e saber como lidar é fundamental para mantermos bons relacionamentos ao longo de toda a vida.

Afinal, quando aprendemos a resolver conflitos de forma produtiva – em especial, em um clima de cooperação – temos oportunidade para nos aproximar do outro, entender suas necessidades e buscar soluções em conjunto que atendam todos os envolvidos. O que pode contribuir, inclusive, com o fortalecimento de vínculos.

Mas, e quando este caminho não é possível? Muitos de nossos conflitos, você deve estar pensando, acontecem justamente em relações onde há desequilíbrio, seja porque o outro representa uma autoridade, como seu chefe, ou porque é mais forte e popular, como acontece nos casos de bullying.

Nestes casos, saber como resolver conflitos pode ser ainda mais valioso para preservar a relação ou mesmo para sua proteção. Embora possa ser mais desafiador, podemos ainda assim buscar formas para nos sentir melhor, entender o problema que gerou o conflito, levantar alternativas (e sempre existem muitas, acredite!), analisar as consequências de cada uma e escolher a melhor delas para colocar em prática.

Vale observar que aprender a lidar com conflitos e combater o bullying nesta perspectiva não significa atuar na prevenção, como no caso do combate de doenças como o Zika, por exemplo (veja Sobre o combate ao Zika e o combate ao bullying). A educação emocional visa o desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais que servem como fatores de proteção para os indivíduos diante de qualquer dificuldade – incluindo situações de risco. O que chamamos de promoção de saúde emocional.

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Andréa C. Monteiro

Psicóloga, psicopedagoga e mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, atua na área de Educação Emocional há 10 anos.