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Comportamentos agressivos em crianças e adolescentes: o que pode estar acontecendo?

cry-62326_960_720Por: Katia Negri

Recentemente a mídia e as redes sociais têm veiculado casos em que, adolescentes e crianças utilizam agressividade (tanto física quanto verbal) para lidar com situações de estresse, conflitos com amigos, pais ou professores. Esses comportamentos, muitas vezes impulsivos, acabam nos deixando preocupados e sem saber como lidar com esse tipo de situação.

Vamos iniciar nossa discussão procurando compreender o que existe “por trás” dos nossos comportamentos e atitudes em geral? Para ilustrar, gostaria de contar algo que aconteceu comigo há algum tempo: Enquanto eu aguardava para embarcar, em um aeroporto bem movimentado aqui no Brasil, fui surpreendida por uma senhora que se aproximou de mim e me abraçou. Fiquei sem entender a princípio, mas senti carinho naquele abraço, apesar de sermos totalmente desconhecidas. Depois de algum tempo, ela olhou nos meus olhos e disse: Você me lembra minha filha, por isso quis te abraçar! Passado o susto, fiquei ali com meus pensamentos. Enquanto via a senhora se afastar, comecei a imaginar o que poderia ter acontecido com ela: Será que a filha havia se mudado para outra cidade? Será que ela havia perdido a filha? Não era possível desvendar a situação, mas sabemos que a atitude dela foi motivada por um ou mais sentimentos de intensidade significativa.

A história acima (que me impactou e ficou marcada em minha memória) ilustra a ideia de que: “Por trás” dos nossos comportamentos existem sentimentos. Os sentimentos estão presentes em nós o tempo inteiro, e muitas vezes reagimos a eles de forma automática, ou seja, antes mesmo de reconhecer e identificar o que estamos sentindo, vamos para a ação.  O abraço apertado no aeroporto é uma reação aos sentimentos presentes naquela senhora, naquele instante. Da mesma maneira, o tapa ou a palavra ofensiva também são reações. A diferença é que no segundo caso, quem reage agressivamente provavelmente está lidando com um ou mais sentimentos que chamamos de “desagradáveis” (aqueles que nos incomodam como raiva, medo, ódio, etc…).

Tente se lembrar de alguma situação em que você ou algum conhecido agiu movido por sentimentos desagradáveis, como a raiva, por exemplo, e depois se arrependeu do que fez. Podemos listar uma série de histórias, não é mesmo? Da mesma forma acontece com os jovens e as crianças – eles sentem, reagem e depois precisam lidar com as consequências das suas reações, que em muitos casos são desastrosas e trazem ainda mais desconforto!

Por isso, as repreensões e punições aplicadas por pais e professores acabam tendo pouco efeito educativo, por melhor que sejam as intenções. Elas não ensinam que existem outras possibilidades e não desenvolvem as habilidades emocionais e sociais, fundamentais para lidar de forma mais positiva com as dificuldades da vida e ser capaz de pensar antes de agir, avaliar as conseqüências e fazer boas escolhas.

Parece muito bom que crianças e jovens desenvolvam essas habilidades, não é mesmo?

A boa notícia é que isso é possível por meio de programas de Educação Emocional, como Amigos do Zippy e Passaporte: Habilidades para a Vida, que instrumentalizam as crianças e jovens para lidar com as dificuldades do dia a dia, estimulando-as a identificar e a falar sobre seus sentimentos e a explorar várias maneiras de lidar com eles.

Para saber mais sobre os nossos cursos e programas, entre em contato conosco: www.asecbrasil.org.br

E quando estiver diante de alguma notícia veiculada na mídia ou vídeo nas redes sociais que exponham crianças ou jovens com atitudes agressivas, que tal fazer o exercício de imaginar os sentimentos que eles estão experimentando e qual seria a melhor forma de ajudá-los naquele momento, ao invés de compartilhar em redes sociais?

 

 

Fazendo escolhas para 2017

choose-the-right-direction-1536336_960_720A chegada de um novo ano pode ser um convite para refletir a respeito das experiências vividas, das escolhas que fizemos e dos caminhos que percorremos ao longo dos últimos 365 dias.

É muito comum nessa época do ano fazermos um balanço para identificar, de acordo com a nossa percepção, aspectos positivos e negativos decorrentes das nossas ações. E na tentativa de fazer melhores escolhas, começamos a planejar o novo tempo que vem pela frente.

Diante desse exercício, ao olhar para as experiências vividas, você já se perguntou: “Por que eu agi daquela forma”? “Por que eu tomei determinada atitude”? Geralmente só avaliamos as consequências das nossas ações depois que tomamos as decisões, ou seja, não analisamos os prejuízos e benefícios antes de agir, para desta forma decidir com mais consciência.

Quer um exemplo de uma situação do cotidiano?

Imagine alguém que reside longe do trabalho e escolhe se deslocar utilizando o carro ao invés do transporte público. Essa escolha pode trazer algumas consequências, como a possibilidade de enfrentar um congestionamento maior no trânsito, contribuir com a emissão de gases na cidade, mas ao mesmo tempo fazer uma viagem de forma mais confortável.

Então, se fazemos nossas escolhas diariamente e lidamos com as consequências, somos responsáveis por elas, incluindo os benefícios e prejuízos que podem trazer para nós mesmos e para os demais! Escolhemos o tempo todo, desde a roupa que vestimos pela manhã, até a quantidade de açúcar que colocamos no café, porém não paramos para pensar nos desdobramentos de nossas escolhas, principalmente nas decisões do dia a dia.

Avaliar consequências e ser protagonista da própria existência contribui para uma vida plena. Muitas vezes não percebemos o quanto cada escolha e cada decisão interfere em nossas vidas ou traz impacto para a vida de pessoas próximas ou da coletividade e por isso nos surpreendemos com as consequências.

Que tal começar a avaliar as escolhas que você fará neste último mês do ano? Comprar presentes de natal ou confeccioná-los em casa? Comprar em grandes lojas ou de artesãos locais? Viajar com a família ou economizar para algo importante? Quais os pontos positivos e negativos de cada uma das suas escolhas?

Que em 2017 possamos escolher com mais consciência exercitando toda a nossa capacidade de analisar, refletir e ponderar!