Arquivo da tag: escutar

Você é empático sim!

menina empatica

Por: Neide Almeida

Vamos fazer um teste?

Você já salivou ao ver uma comidinha quente, cheirosa ou alguém saboreando um petisco apetitoso, anotou alguma receita da tv e guardou para fazer em um dia especial?

Quando você ouve uma notícia de catástrofe, você desliga a tv ou pede para parar quando uma pessoa conta algo violento?

Todas essas reações estão de alguma maneira ligadas à empatia, que é definida como “habilidade de se colocar no lugar do outro, de entender a partir da perspectiva dele, com os olhos dele”. É o ato criativo de ver as situações sob o ponto de vista do outro, entrar no mundo dele, ficar à vontade mesmo que não concorde com o que ele sente, e se isentar de emitir julgamentos.

Agora vamos pensar nos benefícios de uma conexão empática.

É bom quando alguém percebe nossas ações positivas, quando podemos falar dos nossos sentimentos, quando somos respeitados. E quando nos perguntam se queremos ajuda em algo, é bom quando o outro nos ajuda a pensar nas estratégias, mas sem dizer “faça isso ou aquilo”.

Nos sentimos bem quando pedimos mais uma explicação e ficamos à vontade para pedir mais uma vez, sem sermos alvo de censura ou ironia.

É bom quando ouvimos alguém querido dizer estar com saudades, quando recebemos um abraço e, quando em luto, mesmo sem tê-lo comunicado, que um abraço juntou nossos pedaços, ou quando recebemos algo que estávamos precisando seja material ou emocional, ficamos pensando… “Como é que ele(a) adivinhou?”

 A empatia nos ajuda a viver com mais leveza, suaviza nosso caminhar, seja ele qual for; é uma habilidade que podemos desenvolver, e fortalecer mais e mais à medida que praticamos na rotina do dia a dia. A empatia é como um jardim, no qual, independentemente da diversidade das flores e das intempéries do tempo, quanto mais entendemos e respeitamos a natureza de cada uma delas mais seremos assertivos nas podas e na rega, tendo como resultado o desfrutar do visual, dos aromas, de formatos, texturas, das diferentes flores que embelezam nossos olhos e alegram nossa alma.

A empatia nos mobiliza a ser solidários, a escutar, a interagir, reconhecer limites, comunicar, impor limites, ser tolerantes; e podemos nutrir para sermos cada vez mais empáticos ao longo da vida.

Convido-os a um exercício: olhe um pouco mais para a pessoa que está ao seu lado em casa, na rua, no trabalho na fila do supermercado, na praça, na sala de aula, na academia…  Amorosamente olhe… Perceba os olhos, cabelos, as marca que ela traz no rosto, o jeito de andar de falar, de sentar, se for muito diferente do seu jeito imagine-se com aquele jeito, imagine-se vestindo aquela roupa, imagine-se no lugar dela.  Ofereça algo, pergunte como ela está, se importe, sorria… uma saudação verdadeira, um sorriso, pode mudar a trajetória do dia, da semana, da vida dessa pessoa.

Se desde cedo as crianças desenvolverem sua capacidade de empatia, teremos adultos tolerantes, conscientes do efeito das suas escolhas, para si e para a sociedade, protagonistas da sua história, solidários. Educar uma geração a ser empática pode se transformar num fenômeno de massa trazendo uma mudança fundamental nas relações e no mundo.

No programa Amigos do Zippy crianças aprendem habilidades emocionais e sociais. Já na primeira aula começam a praticar, de maneira simples e lúdica, a empatia.

O desenvolvimento dessa fundamental habilidade é reforçado em inúmeras atividades, em que aprendem a acolher os seus sentimentos e os dos outros, passando pelas habilidades de comunicação tão valiosas para um convívio saudável, franco, apoiador de escolhas eficazes para se sentir melhor, e segue nos módulos seguintes aprendendo a gerenciar suas emoções em situações de conflitos, especialmente elaboradas para sua faixa etária, sempre apoiadas pelo professor especialmente capacitado pela ASEC.

Esse professor também tem a oportunidade de se perceber empático e de reforçar e compartilhar suas habilidades. E enquanto ele facilita o processo de cada aluno, percebe outras áreas sendo afetadas positivamente; e não é incomum, a reflexão com a conclusão pelo desejo de ter tido contato mais cedo com essas ferramentas e ter vivenciado um ciclo de aprendizagem de promoção de saúde integral, que fornece recursos para enfrentar os desafios da sua própria vida.

 neideNeide Almeida

Atuou por 7 anos no PróHosic em Taubaté no apoio à pacientes e familiares do Depto. de Oncologia e atuou no mesmo período no CVV – Centro de Valorização da Vida, no atendimento emocional à pessoa em crise. Há 10 anos atua  como Monitora Formadora de professores em Educação Emocional na ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças.

Pelo direito de ter quem nos escute

ouvindo c olhos

Por: Alessandra Calbucci

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória.

Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar.

Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória.

Mas acho que ninguém vai se matricular.”

Rubem Alves.

Vai me dizer que você não conhece alguém que diz: “eu tenho direito de falar o que eu penso” e, muitas vezes, diz uma série de coisas, sendo indelicado, grosseiro e não considerando que o que está dizendo pode ferir as pessoas?

Esse “direito” tem sido usado constantemente pelas pessoas como permissão para magoar, agredir e impor verdades como se fossem universais, porque elas entendem que o seu ponto de vista é o correto, e acreditam que têm sempre razão. É claro que todos podem expressar suas ideias, mas o direito de falar, não deveria ser acompanhado do dever de escutar?

Será que em alguns momentos nós também agimos desta maneira? E isso não significa que sejamos cruéis. Como todos os costumes, talvez nem tenhamos refletido sobre isso, porque simplesmente estamos seguindo a “onda do direito de falar”. Já viu discussões sobre política, futebol e religião que acabam em verdadeiras guerras?

Não? Então procure algum post no Facebook sobre esses temas e você se surpreenderá com desrespeito e ofensas. A vida virtual muitas vezes pode se assemelhar à vida real. Nessas discussões, amigos de infância podem brigar para sempre, parentes passarem a se evitar, pessoas que antes eram importantes serem excluídas do Facebook e da vida.

Nesse momento em que “falar muito e escutar pouco” parece que virou lei, observo que tem gente demais falando e gente de menos escutando.

E qual o resultado disso? As pessoas se afastam emocionalmente. Porque grande parte das vezes, precisamos de alguém para nos escutar e não para falar mais do mesmo.

Você já parou para pensar se suas palavras afastaram alguém importante da sua vida? E você, já se afastou de alguma pessoa por ter considerado que a fala dela foi inadequada?

Na maioria das vezes o que ela pensa, você já sabe. E ela também sabe o que você pensa.

A dúvida é se você ou o outro tem a capacidade de, realmente, escutar.

Veja bem, estamos falando aqui sobre a palavra ESCUTAR. Não simplesmente ouvir. Ouvir quase todo mundo é capaz.

Escutar significa prestar atenção no outro, entender o que ele está dizendo, perceber seus sentimentos e poder compreender seu ponto de vista mesmo quando diferente do seu.

Qual a pessoa que você procura quando quer conversar, quando precisa de ajuda? Qual a sua relação mais prazerosa? Com quem gosta realmente de estar? Com pessoas que só falam, que dizem o que “dá na telha”, ou com as que escutam você?

Escutar é um dos caminhos para ter INTIMIDADE com outras pessoas. E intimidade é o antídoto para a SOLIDÃO. Escutar permite que uma pessoa consiga se colocar no lugar do outro. Isso se chama empatia. E a empatia nos aproxima.

Não importa quantos relacionamentos você tem, a quantidade não faz com que você se sinta menos solitário.

Se você tiver apenas um relacionamento íntimo, em que há espaço para a fala cuidadosa, gentil, com o intuito de ajudar um ao outro e uma escuta acolhedora, atenta, isso poderá contribuir para que a solidão se afaste de você.

Por esse motivo, pode ser importante cuidar do que falamos, treinarmos a escuta e tentarmos compreender com o coração o que o outro está dizendo, se não quisermos afastar as pessoas.

Se você se sente mal com as palavras ou a forma que o outro está falando com você, que tal avisá-lo que você está se sentindo desrespeitado, e que não está gostando da conversa?

E se isso não adiantar… Meu amigo, respeite o meu direito de ir buscar alguém que me escute de verdade.

Foto Ale

Alessandra é Psicóloga e coach há 20 anos e é apaixonada pelo universo emocional da mulher. Realiza workshops, palestras e psicoterapia em grupo com esse enfoque, além de atuar na ASEC como monitora, capacitando educadores em saúde emocional de crianças.

Dando voz aos sentimentos

dando voz aos sentimentosPor: Neide Almeida

Mas, e como podemos ouvir de forma a contribuir para que o outro possa buscar dentro de si mesmo alternativas e estratégias eficazes para lidar com os sentimentos que está experimentando e as circunstâncias que está vivendo?

Pense se você já esteve na situação em que uma pessoa  compartilhou algo com você que parecia não ter muito sentido, as informações não batiam, ou a pessoa te contou novamente algo que ela já havia contado e você percebeu que o relato estava diferente do da primeira vez, ou a pessoa fez perguntas que ela mesma respondeu. Isso acontece porque essa pessoa está fazendo um esforço interno, tentando organizar seus pensamentos e nomear seus sentimentos.

Podemos ajudá-la neste processo se deixarmos nossas experiências e crenças de lado nesse momento e focarmos no que é a vivência para ela, que talvez não seja semelhante à nossa, mas é a dela e, nesse momento, ela pode descobrir mais sobre isso com a nossa ajuda.

Podemos, com a nossa escuta atenta, ser reflexo do que ela está dizendo e sentindo, para que ela se ouça. Podemos comunicar o que estamos compreendendo de forma afetuosa. Uma forma de fazer isso, por exemplo, é repetindo as últimas palavras de frases que a pessoa nos diz ou a parte relevante da narrativa ou o sentimento que percebemos  no relato.

Por exemplo, se alguém nos diz: “Hoje eu queria mais é ficar na cama, longe de tudo hoje e que esse feriado acabe logo”

Sentimento percebido – “Me parece que você está entediada…”

Parte relevante – “Estou percebendo que você queria ficar longe de tudo hoje…”

Últimas palavras – “ Você gostaria que o feriado acabasse logo não é…”

Assim, ajudamos a pessoa a se ouvir e a perceber que a estamos ouvindo também.

A compreensão empática, nos fortalece e nos ajuda a encontrar nosso equilíbrio, porque nos ajuda a entrar em contato com nossos sentimentos, ideias, crenças e pensamentos sem julgamento ou censura. Em função da importância dessa habilidade de “se ouvir” e ouvir o outro de forma empática, no Amigos do Zippy, as crianças começam a aprender desde as primeiras aulas a perceber a si mesmas e aos outros, ouvir e comunicar de forma eficaz seus pensamentos e sentimentos,  fortalecendo-se, assim, para os desafios do dia a dia.

Para saber mais sobre o Amigos do Zippy e outros programas de desenvolvimento socioemocional, acesse: www.asecbrasil.org.br ou www.amigosdozippy.org.br

 

neideNeide Almeida

Atuou por 7 anos no PróHosic em Taubaté no apoio à pacientes e familiares do Depto. de Oncologia e atuou no mesmo período no CVV – Centro de Valorização da Vida, no atendimento emocional à pessoa em crise. Há 10 anos atua  como Monitora Formadora de professores em Educação Emocional na ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças.

 

O momento certo para falar

chronometer-1065937_1280Por: Andréa C. Monteiro

Seja em casa ou na escola, frequentemente observo adultos (e aqui me incluo também!) se sentirem frustrados por não serem escutados por suas crianças. Ficamos impacientes e por vezes julgamos este comportamento como provocação ou desobediência: afinal, “quantas vezes é preciso pedir?!”; “parecem surdas!”.

A comunicação é, de fato, uma habilidade desafiadora tanto para as crianças quanto para nós, adultos. Ela envolve muitos aspectos – alguns deles já abordados em nosso blog, como crenças e julgamentos (“Observar sem julgar: um desafio que traz muitos benefícios para nossos relacionamentos“), a dificuldade de expressar nossos sentimentos (“Como expressar nossos sentimentos pode melhorar nossa comunicação“) ou de dizer o que realmente queremos dizer (“Você sabe como pode se comunicar mais eficazmente?“). E exige, especialmente no que diz respeito à escuta, disponibilidade e abertura.

Mas, mesmo quando estamos atentos à forma como nos comunicamos, podemos não ser eficazes se deixarmos de observar um aspecto importante: o momento certo para falar.

No programa Amigos do Zippy, uma das habilidades relacionadas com a comunicação que as crianças aprendem é avaliar o momento certo – ou mais adequado – para conversar com alguém. “Você já experimentou tentar conversar com algum fã de futebol enquanto ele assiste a um jogo? Ou contar uma novidade para alguém que está conversando no telefone?” podem ser algumas das perguntas disparadoras para refletir com as crianças. Pode parecer evidente, mas a verdade é que nem sempre observamos se aquele momento é ou não o mais adequado para falar – especialmente quando nos dirigimos às crianças.

Se precisamos pedir algo ao chefe ou conversar sobre um tema delicado com um amigo, costumamos “ensaiar” o que falar e analisamos quando ele estará mais acessível. Mas quando precisamos, por exemplo, que as crianças colaborem conosco em uma determinada tarefa, podemos agir apenas de acordo com nossa necessidade, nos dirigindo a eles em momentos em que não estão disponíveis: seja porque estão concentrados em uma atividade ou curtindo um momento de lazer.

Independente de qual seja a razão que dificulta que o outro me escute, considerar se a conversa pode ser adiada ou combinar em que momento vocês poderão conversar (como “depois do desenho” ou “quando vocês terminarem a tarefa”) pode abrir um canal de comunicação mais eficiente. Encontrar o tempo certo para falar é também encontrar o tempo certo para ser ouvido!