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Qual o limite entre a gozação e o bullying?

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Por: Tania Paris

A lei 13.185, de novembro de 2015, instituiu o Programa de combate à Intimidação Sistemática (bullying).

Segundo a mesma, bullying é todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

Então, uma brincadeira que ridiculariza uma deficiência ou fraqueza de alguém só seria considerada bullying quando se tornasse frequente, certo? Dessa forma, se estivermos convencidos da necessidade de combater o bullying, deveríamos estar atentos para coibir essas brincadeiras quando estivessem sendo repetidas. É isso? Mas, repetidas quantas vezes? Qual seria a quantidade de vezes que indicaria um “farol amarelo”? E quando saber que já se tornou vermelho?

Há algum tempo atrás, escutei um pai orgulhoso contando sobre seu filho pequeno, inteligente e muito engraçado, que fazia gozações com colegas e vizinhos sob notório incentivo da família. Cheguei a mencionar a palavra bullying, mas a plateia que ria dos relatos desconsiderou meu comentário. Tecnicamente falando, eu estava errada. Mas não consigo esquecer aquela cena. Lembro-me dela com um título: como criar um intimidador.

Queria propor um novo limite entre a gozação e o bullying: a intenção.

Se a vítima se magoou com a brincadeira, o agressor que não estava mal-intencionado recua, pede desculpas, “se toca”, porque usa empatia para compreender o custo de sua diversão. Mas se a intenção tiver sido impressionar a plateia na base do custe o que custar… bem… Pais, vamos esvaziar essa plateia; vamos educar nossas crianças para que possamos todos viver num mundo mais saudável.

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Tania Paris fundou a Associação pela Saúde Emocional de Crianças para dar oportunidades às crianças de aprenderem, desde muito cedo, a lidar com seus sentimentos e com as dificuldades da vida. “Amigos do Zippy” é um programa internacional de Educação Emocional, representado exclusivamente pela ASEC no Brasil, que é desenvolvido em escolas pelos próprios professores das crianças. www.az.org.br

De que maneira o Programa Amigos do Zippy pode auxiliar na prevenção do bullying?

A intimidação ou bullying é um problema que pode ocorrer dentro dos ambientes escolares e um dos objetivos do Programa Amigos do Zippy é desenvolver mecanismos que ajudem as crianças a lidar melhor com a situação. Nos dois primeiros módulos do programa, o foco é fortalecimento do “eu”. Neles, as crianças aprendem a identificar e a comunicar os seus sentimentos. Nessa fase, também se estimula a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro, habilidade essencial para evitar o bullying. E a partir do Módulo 3, o foco é na qualidade dos relacionamentos e estratégias para resolução de problemas interpessoais.

 Quando a criança está bem consigo mesma, ela consegue lidar com situações difíceis de forma mais assertiva, e, assim, sentir empatia pelas outras crianças, reduzindo a prática da intimidação (bullying). “Se ela está chateada ou com raiva do amigo, em vez de xingar ou agredir, pode dizer o que sente, ou pedir ajuda”, explica Viviane Almeida, uma das monitoras do programa.

 Para ela, a criança que pratica o bullying gostaria de ser notada, mas só tem como ferramenta em seu repertório agredir verbal ou fisicamente. Através do programa “Amigos do Zippy”, as crianças aprendem outras formas de se expressar, sem prejudicar os outros ou a si mesmas.

 De acordo com a presidente da ASEC, Tania Paris, quem pratica o bullying apresenta uma autoestima enfraquecida. Essa criança precisa intimidar outra, ou seja, torná-la tímida, para que possa se sentir forte e capaz.

 É especificamente no Módulo 4 do programa que as habilidades para evitar a intimidação (bullying) são desenvolvidas. Nessa etapa, as crianças aprendem regras como: “não temos o direito de intimidar nem ameaçar uma pessoa” e “se formos intimidados ou ameaçados, podemos pedir ajuda a alguém em quem confiamos”.

 Alguns livros postados em nossa página no Facebook podem ajudar crianças, pais e educadores a lidar e a compreender melhor o tema. Os títulos fazem parte de uma apurada seleção, realizada por Partnership for Children, entidade responsável pelo programa:

 me deixem“Me deixem em paz!” conta a história de Mandy, uma garota que está sofrendo bullying na escola. Porém, uma amizade verdadeira nasce quando ela conhece Tania.

Autora: Jacqueline Wilson
Editora Atica

hugo-e-a-gangue-dos-sapos-vale-das-letras“Hugo e a Gangue dos Sapos”. Hugo é um sapo que tem um coaxado bem fraquinho e, por isso, é sempre atormentado pela gangue dos sapos. Os outros animais dão sugestões para Hugo se defender, mas ele é muito tímido. Até que o pato tem uma ideia para lidar com a situação.

Autora: Francesca Simon
Editora: Vale das Letras

5076912“Camilo e os Girassóis”. Certo dia, um estranho chega à cidade onde Camilo mora. Ele é Vincent Van Gogh e, apesar da vizinhança tratá-lo com desprezo, Camilo e seus pais tornam-se amigos dele. O livro é uma oportunidade para conhecer a obra de Van Gogh e também para entrar em contato com o tema bullying e aceitação daqueles que são diferentes.

Autor: Laurence Anholt

Editora: Log On Livros

 

Saiba mais sobre o Programa Amigos do Zippy em em www.asecbrasil.org.br