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Os desafios da adolescência e a promoção da saúde mental – contribuições do programa Passaporte: habilidades para a vida

Por Andréa Monteiro e Letícia Sato

Qual a imagem que nos vem à mente quando pensamos em “adolescência”? É comum ouvirmos frases como “é a pior fase da vida”, “são todos aborrecentes” e os sentimentos a eles associados, de uma certa repulsa e impaciência. Ao falarmos dos adolescentes parecemos estar falando de seres rebeldes, indisciplinados, raivosos, que tudo questionam e desafiam. Tornou-se comum também afirmar que esta seria uma fase de inevitável “crise”, uma vez que nela se vive a transição entre a infância e a vida adulta e, que neste embate de gerações, o conflito seria inevitável.

Será?

Atualmente se questiona a ideia de adolescência como fenômeno natural, com características universais, ao contrário do conceito de puberdade, este sim um fato biológico, marcado por transformações fisiológicas que caracterizam a transição entre a infância e a vida adulta. A adolescência, por seu turno, é reconhecida hoje como um fenômeno cultural, cujas definições estão marcadas pela forma como um determinado grupo encara estas transformações e como orienta seus jovens. Ou seja, o conjunto de valores e significados da sociedade em geral e da família podem tanto facilitar quanto dificultar esta transição [1].

Sabendo disso, podemos promover uma aproximação com os adolescentes (sempre no plural!) despidos de rótulos, de conceitos prévios, e abertos a ouvi-los, a conhecer suas reais necessidades. Pois, da mesma forma em que existem aqueles que atravessam esta fase de forma tranquila e sem maiores crises, há os que passam por conflitos e sofrimentos tortuosos.

Seja qual for a forma de lidar destes jovens, não se pode negar que o mundo atual os coloca em situações desafiadoras e difíceis, que exigem deles respostas que muitas vezes vão além daquilo que são capazes de pensar e realizar.

Eles se preocupam em inserir-se e fazer parte de grupos com os quais se identificam, mas precisam evitar se envolver em comportamentos de risco; eles precisam lidar com o crescente desejo sexual, ao mesmo tempo em que precisam saber regular suas emoções e lidar com as inevitáveis rejeições ou com o risco de gravidez; eles anseiam pela liberdade mas precisam aprender a carregar o “fardo” da consequente responsabilidade; eles desejam ser autônomos mas para isso precisam abrir mão da dependência e do conforto proporcionado pela família; eles desejam ser diferentes e ter seu próprio estilo, mas ao mesmo tempo precisam aguentar as provocações dos “iguais” e o bullying; eles querem ser adultos, mas não conseguem um emprego e não têm como manter-se sem ajuda dos pais.

Enfim, poderíamos ampliar esta lista para englobar as várias dificuldades vivenciadas por estes jovens que estão buscando construir sua própria identidade, ao mesmo tempo em que têm que dar conta ‘das realidades’ do mundo. E a pergunta que fica para nós adultos e educadores é: como ajudá-los a viver esta fase de modo menos traumático e mais harmonioso possível?

Ouvimos muito hoje sobre o aumento das taxas de suicídio, automutilação, depressão e comportamentos de risco e autodestrutivos associados a esta faixa etária. O foco parece estar sendo em encontrar os culpados, o que acaba gerando um clima geral de defensividade que nos impede de buscar e encontrar as reais causas dos problemas. Na realidade não existe apenas uma causa ou uma explicação possível para estes comportamentos. Eles são fruto de uma complexa rede de causas e condições, ademais respondem a necessidades internas que muitas vezes são muito difíceis de localizar e entender.

Estudos [2] apontam que o ser humano em geral age da melhor forma possível diante de situações que considera difíceis, baseado na melhor ‘avaliação’ que pode fazer destas situações e impulsionado pela emoção que elas lhe trazem. Isso não quer dizer que a “melhor forma” encontrada seja fruto de uma reflexão prévia, adequada socialmente ou a mais eficaz em termos de melhoria de seu estado íntimo ou da situação em si.  Em outras palavras, sempre estamos lidando com as dificuldades, de uma maneira ou de outra e muitas vezes nem percebemos as consequências de nossa forma de agir ou se elas funcionam da forma como gostaríamos.

Nesta perspectiva, lemos os comportamentos problemáticos e inquietantes dos jovens como a forma possível deles comunicarem seu estresse, na ausência de recursos internos que os ajudem a lidar de uma forma (mais) saudável e/ou na falta de uma rede de apoio onde possam encontrar acolhimento e apoio.

Atualmente, estamos imersos em uma “cultura de violência”[3] que permeia as relações sociais e cuja principal característica é a negação de necessidades fundamentais tais como reconhecimento, apoio, escuta e respeito mútuo [4]. Muitas vezes, atos de agressão a si e/ou ao outro podem ser a forma que os jovens encontraram para responder a um mal-estar não nomeado. Estudiosos inclusive apontam as condutas de risco dos adolescentes como maneiras ambivalentes de lançar um apelo às pessoas mais próximas, àquelas com quem eles contam e revelam uma necessidade interior de encontrar significado para seu estar no mundo[5].

Além disso, os jovens hoje encontram-se engolidos pela realidade virtual e pela ampliação das possibilidades de comunicação e de encontro entre aqueles que compartilham dos mesmos interesses. Isso lhes oferece oportunidades de se conectarem a causas, de compartilharem globalmente experiências similares e de se unirem de forma colaborativa a projetos, mas pode, ao mesmo tempo, ser altamente perigoso quando os interesses em comum são os sofrimentos e patologias (anorexia e suicídio, por exemplo) e quando fóruns são criados visando incentivar e mesmo ensinar práticas destrutivas. A cultura digital é, na realidade hoje, parte integrante da vida de qualquer adolescente, esteja ele onde estiver no mundo.

Diante disso, nos parece imperativo promover atitudes saudáveis, no mundo real e virtual, visando a promoção de ambientes com uma cultura de relacionamento em que se cultive a reciprocidade: verdadeiramente ouvir e ser ouvido, realmente ver e ser visto pelos outros. Sentir-se seguro com outras pessoas é essencial para a saúde mental. Precisamos que os jovens se familiarizem com seu mundo interno e saibam identificar o que os atemoriza, incomoda ou deleita. Identificar os próprios sentimentos, sintonizar com suas emoções e das pessoas a sua volta e desenvolver estratégias de adaptação para lidar com as reações emocionais – são formas de promover a chamada “educação emocional” que engloba as competências necessárias para vencer os desafios do século XXI, tais como o autoconhecimento, a autonomia, o protagonismo e a capacidade de se prevenir de comportamentos autodestrutivos, com consequências muitas vezes fatais[6].

Este é o foco do programa Passaporte: Habilidades para a Vida. Voltado para o público pré-adolescente[7], o programa está baseado em uma concepção de promoção de saúde mental que dá ênfase “às forças do indivíduo presentes antes das dificuldades acontecerem e de comportamentos não adaptativos se desenvolverem”[8].

Diferente de programas de caráter apenas preventivo que têm como alvo problemas específicos como uso de drogas e gravidez precoce, o programa Passaporte: Habilidades para a Vida atua na promoção e visa desenvolver habilidades que tornam os jovens mais bem equipados para lidar, com sucesso, com dificuldades do dia-a-dia. O que aumenta sua capacidade de adaptação no futuro e melhora sua autoestima, sentimento de competência e bem-estar geral, atuando de forma preventiva, ao mesmo tempo que evita uma gama maior de problemas[9].

Uma das habilidades fundamentais do programa, neste sentido, é a habilidade de buscar soluções, trazendo à consciência o maior número de estratégias para melhorar uma determinada situação ou para se sentir melhor em relação a ela, sem prejuízo para si ou para os demais.

Especialistas em suicídio apontam que é justamente a escassez de estratégias adaptativas que leva jovens e adultos a tentarem dar fim às suas vidas, uma vez que se sentem incapazes de lidar com situações difíceis[10].

No contexto do Passaporte: Habilidade para a Vida, os participantes não recebem, no entanto, orientação específica sobre quais estratégias são consideradas boas ou ruins.  Mas são estimulados a pensar criticamente, cabendo a eles antecipar as eventuais consequências de suas escolhas e reconhecer a responsabilidade de suas ações.

Este processo acontece ao longo de todo o programa, com apoio de metodologias ativas, que permitem que os participantes levantem o maior número de estratégias possíveis para determinadas situações, analisem cada uma das alternativas levantadas, tendo como premissa filtros que promovem a análise de consequências e prejuízo para si e para os outros e decidam pela melhor.

É o aprendizado, decorrente deste processo, que permite que os jovens tenham autonomia para encontrar soluções em momentos em que não podem compartilhar suas dúvidas ou dificuldades com alguém em quem confiem, como por exemplo em interações na internet e nas redes sociais. E ao mesmo tempo dá ao programa um caráter universal, na medida em que permite que os jovens tenham recursos para avaliar eles próprios as formas mais adequadas de lidar com suas dificuldades considerando características pessoais, pessoas envolvidas e seu contexto familiar e social.

Oferecido em escolas, Passaporte: Habilidades para a Vida está alinhado com diretrizes da Organização Mundial da Saúde que reconhecem o papel crucial das instituições escolares na ‘preparação das crianças para a vida’ e apontam o ensino de habilidades chaves tais como raciocínio crítico, comunicação, relações interpessoais e regulação emocional como forma de promover saúde mental em crianças e adolescentes[11].

Mais do que impactar trajetórias individuais, estudos apontam que ações voltadas para o desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais, como autocontrole e resolução de conflitos, em escolas podem impactar positivamente a escola e a comunidade, diminuindo casos de violência nestes espaços[12].

Com efeito, programas de “Aprendizagem Emocional e Social” baseados em pesquisas, como o Passaporte: Habilidades para a Vida, se mostraram eficazes no desenvolvimento de ambientes de aprendizagem mais participativos, bem administrados, cooperativos, afetuosos e seguros. O que leva a uma maior ligação, engajamento e compromisso com a escola como o todo, melhorando o próprio desempenho acadêmico[13].

Dados das sucessivas avaliações do programa Passaporte: Habilidades para a Vida corroboram esta afirmação demonstrando seu impacto positivo no clima e ambiência da sala de aula. Professores observaram, por exemplo, que após participarem do programa os jovens passaram a lidar melhor com conflitos, exigindo menos suas intervenções. Além de relatarem que suas relações com os alunos se tornaram melhores e mais próximas[14].

Um fator importante para a obtenção destes resultados é, sem dúvidas, a capacitação dos professores, que além de fornecer fundamentos conceituais e metodológicos para o desenvolvimento do programa, busca sensibilizá-los para a criação e/ou manutenção de ambientes emocionalmente seguros, onde os jovens se sintam apoiados, respeitados e tenham oportunidade para colocar em prática as habilidades que estão aprendendo[15].

Tem sido unânime, em levantamentos qualitativos realizados no Brasil,[16] os relatos de professores que apontam que a capacitação e o desenvolvimento do programa com os jovens fornecem igualmente recursos para que eles próprios melhorem suas habilidades para lidar com emoções e situações difíceis, tanto no âmbito pessoal, quanto profissional. Mais eficazes ainda se mostram os resultados, quando a equipe gestora promove o alinhamento da filosofia do programa e reverbera o clima positivo e saudável, na escola como um todo.

Passaporte: Habilidades para a Vida vem se expandindo para diferentes países, sendo desenvolvido atualmente no Canadá, Bélgica e Brasil. Inspirado pelo programa internacional de promoção de saúde mental Amigos do Zippy , desenvolvido no início dos anos 2000, presente em cerca de 30 países do mundo e com mais de 1,8 milhão de crianças participantes até hoje[17] -, Passaporte: Habilidades para a Vida foi desenvolvido como parte de uma iniciativa em promoção de saúde mental para crianças financiada pela Agência Nacional de Saúde do Canadá. E é resultado de um rigoroso processo de avaliação e aperfeiçoamentos sucessivos realizados ao longo de cinco anos[18].

O programa tem como eixo condutor uma história em quadrinhos, onde acontecem situações comuns à jovens em diferentes contextos sociais. A partir das histórias, são desenvolvidas atividades lúdicas que permitem que os jovens identifiquem dificuldades relacionadas ao tema da aula em suas próprias vidas e busquem coletivamente estratégias de enfrentamento. Em diversas sessões, os participantes são convidados a preencher no encerramento o seu “passaporte”, fazendo um registro daquelas estratégias que consideram mais úteis para si – seja no presente ou no futuro.  O que contribui para que os jovens construam, pouco a pouco, um repertório de estratégias de adaptação como parte de sua própria identidade, daí o passaporte, um documento de identificação, ter sido escolhido para dar nome ao programa.

O programa está estruturado em cinco módulos que abordam os seguintes temas: emoções, relacionamentos, situações difíceis, injustiças, mudanças e perdas. E seus objetivos incluem: ampliar o repertório de estratégias dos jovens para lidar com dificuldades do dia a dia; melhorar suas habilidades sociais, incluindo expressão e regulação emocional, resolução de conflitos e controle do estresse; encorajar a cooperação e o apoio mútuo; estimular o pensamento crítico e promover o bem-estar emocional[19].

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Vale apontar que todas as atividades do programa têm caráter cooperativo e os jovens são incentivados a oferecer e pedir ajuda sempre que preciso: habilidades que representam fatores de proteção importantes no campo da saúde mental.

As avaliações do Passaporte: Habilidades para a Vida apontaram que o programa impacta positivamente também o contexto familiar, por meio de atividades oferecidas a cada módulo para serem realizadas em casa. Considerando as mudanças características da adolescência e os fatores de risco envolvidos que mencionamos anteriormente, é frequente que esta fase represente um período estressante para os pais, dificultando o diálogo.

De acordo com pais participantes das avaliações, no entanto, as atividades permitiram abrir o diálogo e discutir temas importantes em família. Alguns jovens aproveitaram a oportunidade para denunciar situações de bullying em que estavam envolvidas[20]. O que reforça as contribuições do programa para a criação de ambientes de apoio para os jovens – dentro e fora da escola.

No Brasil, o programa Passaporte: Habilidade para a Vida, conta com a expertise pioneira da Associação pela Saúde Emocional de Crianças – ASEC, que há 14 anos implementa projetos e programas com o propósito de promover a saúde mental de crianças, jovens e adultos tendo como eixo principal a ampliação de recursos internos ou, em outros termos, o que a educação define como desenvolvimento das habilidades socioemocionais com a construção de ambientes em que as relações sejam de cooperação, acolhimento e apoio mútuo.

A atuação da ASEC se faz baseada em 2 pilares: as metodologias dos programas Amigos do Zippy, Amigos do Zippy em Casa, Amigos do Maçã e Passaporte: Habilidades para a Vida, todos de cunho universal, baseados em pesquisa, validados e implementados em mais de 30 países; e a metodologia de formação de profissionais (educadores, professores e assistentes sociais) desenvolvida pela própria ASEC e validada pelo MEC no “Guia de Tecnologias Educacionais da educação integral e de tempo integral”, desde 2013, no eixo dos Direitos Humanos e Promoção da Saúde. A cultura da organização sorve na fonte da filosofia dos programas e nos valores trazidos do CVV (Centro de Valorização da Vida), por seus fundadores, voluntários da organização irmã, que atua no Brasil há 56 anos.

A ASEC acredita que a escola é o ambiente chave influenciador da saúde e bem-estar e trabalha no sentido de expandir o repertório, das crianças e adolescentes, de habilidades úteis para lidar com dificuldades e problemas estressantes que encontram em sua vida diária, incluindo relacionamentos com colegas e pais[21].

Mas as contribuições do programa Passaporte e os benefícios promoção da saúde mental estão restritos ao contexto da educação ?

A habilidade que impacta na melhora dos níveis concentração do aluno, tão importante para processo ensino aprendizagem é a mesma habilidade que fortalece emocionalmente o jovem para lidar positivamente com conflitos de ordem emocional, impactando concomitantemente na área da Educação e da Saúde. A habilidade de fazer escolhas adequadas é igualmente importante na área da educação, através da responsabilidade assumida desenvolvida a partir  da capacidade de fazer boas escolhas impactando também na área da segurança publica. Reduzir os índices de jovens, no uso abusivo de álcool, drogas, na criminalidade pode se dar através dessa mesma habilidade desenvolvida. Assim como a habilidade de relacionar-se de forma saudável é de fundamental importância para boa convivência entre as pessoas, para desenvolvimento da cidadania plena, da promoção da garantia dos direitos, pilares da Assistência Social e da Segurança Pública.[22]

Portanto, promover saúde mental é responsabilidade de todos, não  apenas da educação, embora seja a educação o caminho mais adequado para desenvolvimento das habilidades que a promove.

Este é o caminho por meio do qual a ASEC pretende contribuir. Seu propósito é trabalhar para que no Brasil, toda criança e adolescente possa se fortalecer com ferramentas para manter sua saúde mental, para responder de forma adequada aos desafios atuais, no mundo real e virtual, e, consequentemente, impactar positivamente sua realidade e ajudar a promover sua visão: “Uma sociedade solidária e feliz”.  

 

Bibliografia empregada:

[1] CERQUEIRA-SANTOS, E. et al. 2014. Adolescentes e adolescências in  HABIGZANG, L. F. et al. Trabalhando com adolescentes: Teoria e intervenção psicológica. Porto Alegre, RS: Artmed.

[2] Baseados, entre outros, no trabalho de Richard Lazarus, importante pesquisador da área de estresse e promoção de saúde mental (vide LAZARUS, R. S. 1999. Stress and emotion: a new synthesis. Springer Publishing Company, Inc).

[3] CALIMAN, G. (org). 2013. Violência e direitos humanos: espaços da educação.  Liber Livro.

[4] CASASSUS, J. 2009. Fundamentos da educação emocional. Brasília: UNESCO, Liber Livro.

[5] LE BRETON, D. 2012. O risco deliberado: sobre o sofrimento dos adolescentes. Revista Política e Trabalho, Revista de Ciências Sociais, João Pessoa, n. 37, p. 33-44,  out.

[6] VAN DER KOLK, B. A. 2014. The Body Keeps the Score: Brain, Mind, and Body in the Healing of Trauma. New York: Viking.

[7] Após ser testado e aprimorado ao longo de cinco anos, o programa foi implementado no Canadá para a faixa etária de 9 a 11 anos. No Brasil, um estudo piloto do programa, desenvolvido com mais de 700 crianças e jovens de diferentes cidades, indicou que a faixa etária mais adequada ao nosso contexto escolar corresponde ao 6º ano do Ensino Fundamental (10-11 anos).

[8] MISHARA, B. E DUFOUR, S. 2018. Randomized Control Study of the Implementation and Effects os a New Mental Health Promotion Programme to Improve Coping Skills in 9 to 11 Year Old Children: Passport: Skills for life. Artigo no prelo.

[9] Mishara e Dufour, 2018 e Mishara, B. s/ data. O conceito de ´coping´. Material não publicado.

[10] Bale, Chris. 2003. Early start to suicide prevention: children´s programme shows promising results. Suicidologi. Arg.8. Nr.2.

[11] Organização Mundial da Saúde. 2001. Relatório sobre a Saúde no Mundo – Saúde Mental: nova concepção, nova esperança. Disponível em: https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/relatorio-mundial-da-saude-2001–saude-mental-nova-concepcao-nova-esperanca.aspx. Acessado em agosto de 2018.

[12] Cerqueira, D. 2016. Trajetórias individuais, criminalidade e o papel da educação. Boletim de Análise Político-Institucional, n°. 9, jan-jun, pp. 27-35.

[13] Clarke, A. e Barry, M. s/ data. The link between Social and Emotional Learning and Academic Achievement. Disponível em: http://www.partnershipforchildren.org.uk/uploads/AcademicAchievement.pdf.pdf. Acessado em setembro de 2018.

[14] Mishara e Dufour, 2018.

[15] Vale ressaltar que a Metodologia de Capacitação de Professores da ASEC é reconhecida pelo MEC em seu Guia de Tecnologias Educacionais da Educação Integral e Integrada e da Articulação da Escola com seu Território 2013/MEC.

[16]  A ASEC realiza avaliações sistemáticas com os professores que desenvolvem seus programas, que incluem questões relacionadas ao desenvolvimento dos alunos e ao impacto dos programas no seu desenvolvimento pessoal e profissional.

[17] A ASEC possui representação exclusiva no Brasil para a implementação dos programas Amigos do Zippy, voltado para crianças de 6-7 anos, e Passaporte: Habilidades para a Vida para adolescentes a partir de 11 anos.

[18] Mishara, B. e Dufour, S. 2018.

[19] Centre for Research and Intervention on Suicide, Ethical Issues and End-of-Life Practices (CRISE) . Passport: skills for life. Em: http://www.passeportsequiperpourlavie.ca. Consultado em agosto de 2018.

[20] Mishara e Dufour, 2018.

[21] Idem nota 18.

[22] Argumentos  corroborados em estudos do economista James Hackeman e de Daniel Cerqueira do IPEA em “Trajetórias individuais, criminalidade e o papel da educação”

AndreaMonteiroAndréa Câmara Monteiro é graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista em Psicopedagogia pela FAE Centro Universitário e Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública – Fundação Oswaldo Cruz. Foi coordenadora regional do Núcleo Paraná da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), e atualmente é monitora certificada desta instituição, atuando na capacitação de professores para programas internacionais de desenvolvimento de habilidades socioemocionais de crianças e jovens, além de facilitadora de cursos de educação emocional para profissionais da educação há oito anos.

 

 

Letícia SatoLeticia de Paiva Rothen Sato é graduada em Ciências Sociais (2000), pela UFPR,  especialista em Intervenção Cognitiva e Aprendizagem Mediada pelo CDCP (2014), mestre em Antropologia Social (2003) e especialista em Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento (2004) pela UFPR. Atuou em sua vida profissional como pesquisadora e docente e por cinco anos foi coordenadora regional da ONG ASEC (Associação pela Saúde Emocional de Crianças), responsável por programas de promoção de saúde mental. Atualmente é mãe de três, experiência que transcende e mesmo supera toda sua formação profissional e acadêmica.

 

 

Brava, bravinha, esquentada!

angry-2191104__340Por: Daniela Selingardi

Brava, bravinha, esquentada… São vários os nomes usados na tentativa de enquadrar ou definir uma pessoa a partir de uma situação. É só um aspecto, mas a força de generalizar nos faz, por vezes, acreditar que “somos” e não apenas “estamos” bravos, furiosos, zangados… Pois é, normalmente as pessoas que criam “rótulos” não  perguntam os motivos, nem tão pouco refletem se foi o comportamento delas mesmas que os gerou ou o que teria contribuído para aquelas reações que agora viram rótulos.

Claro, que a ideia não é justificar o que sentimos em consequência da ação do outro, nem responsabilizar o mundo por reações inadequadas de algumas pessoas, mas, é necessário considerar o impacto em suas relações e escolher como agir. O fato é que, aprendemos a enxergar alguns rótulos como negativos nas outras pessoas, e por isso nos sentimos desconfortáveis quando percebemos que eles também estão em nós. Isso, por que seria “colocar luz”  em algo que tentamos esconder… Até a próxima vez que emergir.

Cada vez mais, vejo situações em que as pessoas se sentem desconfortáveis ao se sentirem rotuladas, e isso pode acontecer nas diferentes relações, seja de trabalho, familiar, com amigos ou com o par. Muitas pessoas passam por isso – E com o tempo o estresse vivido leva à exaustão, o sorriso vai embora, a produtividade cai e o corpo adoece.

Acompanhei de perto alguém que por anos enfrentou o rótulo de: “brava, bravinha”. Tentava se justificar ou se recolhia achando estar se excedendo. Perdeu o brilho nos olhos, o sorriso e o sono. Até que percebeu que, era chamada assim quando dizia o que pensava, por vezes de forma forte e clara, quando colocava limites e não concordava com desrespeito, negligência ou apenas fazia uma tentativa de mostrar aos outros o que sentia, pensava e sobre a energia que circulava por dentro dela, na tentativa de lidar com o que acontecia.

 Era a vontade de viver cada momento com vida e coerência, com seus sentimentos e pensamentos, era usar de transparência para se mostrar por inteiro e ser aceita como realmente era, pois assim se sentia viva.

 Desenvolver recursos para se sentir melhor, ter uma comunicação assertiva e melhorar os relacionamentos, são habilidades que podem ser aprendidas e nos levam a uma vida mais plena. Se quer saber como seu ambiente pode se tornar mais saudável e produtivo, fale com a ASEC. Oferecemos cursos e workshops para adultos, assim como os programas para crianças e jovens com comprovação científica de eficácia.

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Daniela é Psicóloga, Mestre em Psicologia escolar e desenvolvimento humano pelo Instituto de Psicologia da USP/SP e monitora certificada para formação de docentes em desenvolvimento de competências socioemocionais pela ASEC.

Você sabe o que é “banda estreita”? Saiba como ela pode ajudar as crianças a lidarem com seus sentimentos

olho no olho

Por: Tania Paris

 

Quem usa internet conhece bem as vantagens de uma banda larga. Ela permite o uso simultâneo do recurso de comunicação por múltiplos usuários. Podemos, inclusive, acionar a execução de mais de uma transação através de um mesmo computador. A banda larga é recurso para economizar nosso tempo.

Nosso tempo é um recurso precioso, não estocável, não recuperável. Seja por esse motivo ou outro, estamos aprendendo a funcionar como uma banda larga – atuamos em várias tarefas ao mesmo tempo. Quem é que dirige e durante o tempo do trajeto só dirige? As mães não “assoviam e chupam cana” só porque a boca não é banda larga. Mas arrumar a mochila das crianças enquanto cobram que elas estejam prontas e dá instruções para o marido e confere a mensagem que chegou no Whatsapp, tudo ao mesmo tempo, lá isso quase todas conseguem.

Aí, depois de todo o treinamento que temos para economizar tempo, chega o momento em que uma das crianças volta da escola triste. Nossa tendência é continuar atuando em “banda larga” e tentar “resolver” essa tristeza rapidamente – rapidamente porque existem muitas outras tarefas e problemas para dar conta.

Tristeza, frustração, decepção, medo… dos filhos não se “resolve”. Crianças que estão experimentando sentimentos difíceis precisam de acolhimento para reconhecerem e lidarem com o sentimento, para se desenvolverem emocionalmente. Uma mãe em “banda larga”, preocupada com outras coisas e com o sempre ligado celular, não é adequada.

Momentos como esse são excelentes oportunidades, se for possível virar uma chavinha e mudar para “banda estreita” = processamento de um só usuário. Desligar tudo, a cabeça principalmente, e estar totalmente voltada a facilitar que a criança se expresse e encontre, por ela mesma, seu caminho. A banda larga nos impulsionaria a dar-lhe soluções; a banda estreita permite a sabedoria de dar a ela o tempo de que precisa para desenvolver autopercepção e autonomia. A banda larga nos induziria a subestimar os sentimentos; a banda estreita nos proporciona condições de aproximação, diálogo, participação emocional na vida da criança.

Aos assuntos intelectuais, que tenhamos a banda mais larga possível; aos emocionais, que seja estreita a um único usuário – aquele a quem tanto amamos.

 

foto-tania-para-publicidadeTania Paris fundou a Associação pela Saúde Emocional de Crianças para dar oportunidades às crianças de aprenderem, desde muito cedo, a lidar com seus sentimentos e com as dificuldades da vida. “Amigos do Zippy” é um programa internacional de Educação Emocional, representado exclusivamente pela ASEC no Brasil, que é desenvolvido em escolas pelos próprios professores das crianças. www.az.org.br

Qual o limite entre a gozação e o bullying?

pegadinha

Por: Tania Paris

A lei 13.185, de novembro de 2015, instituiu o Programa de combate à Intimidação Sistemática (bullying).

Segundo a mesma, bullying é todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

Então, uma brincadeira que ridiculariza uma deficiência ou fraqueza de alguém só seria considerada bullying quando se tornasse frequente, certo? Dessa forma, se estivermos convencidos da necessidade de combater o bullying, deveríamos estar atentos para coibir essas brincadeiras quando estivessem sendo repetidas. É isso? Mas, repetidas quantas vezes? Qual seria a quantidade de vezes que indicaria um “farol amarelo”? E quando saber que já se tornou vermelho?

Há algum tempo atrás, escutei um pai orgulhoso contando sobre seu filho pequeno, inteligente e muito engraçado, que fazia gozações com colegas e vizinhos sob notório incentivo da família. Cheguei a mencionar a palavra bullying, mas a plateia que ria dos relatos desconsiderou meu comentário. Tecnicamente falando, eu estava errada. Mas não consigo esquecer aquela cena. Lembro-me dela com um título: como criar um intimidador.

Queria propor um novo limite entre a gozação e o bullying: a intenção.

Se a vítima se magoou com a brincadeira, o agressor que não estava mal-intencionado recua, pede desculpas, “se toca”, porque usa empatia para compreender o custo de sua diversão. Mas se a intenção tiver sido impressionar a plateia na base do custe o que custar… bem… Pais, vamos esvaziar essa plateia; vamos educar nossas crianças para que possamos todos viver num mundo mais saudável.

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Tania Paris fundou a Associação pela Saúde Emocional de Crianças para dar oportunidades às crianças de aprenderem, desde muito cedo, a lidar com seus sentimentos e com as dificuldades da vida. “Amigos do Zippy” é um programa internacional de Educação Emocional, representado exclusivamente pela ASEC no Brasil, que é desenvolvido em escolas pelos próprios professores das crianças. www.az.org.br

Frustração infantil e a importância de dizer não

birra

Por: Paola Centieiro

Outro dia deparei-me com uma cena, que acredito já ter sido presenciada por muitos de nós: em um supermercado uma criança se debatia no chão enquanto que uma mãe, constrangida, tentava calmamente conversar com ela e explicar o porquê de não poder levar o chocolate pedido naquele dia. Quantos de nós já não vimos ou, até mesmo, vivenciamos uma situação como essa, não é mesmo?

Ao observar aquela cena, logo pensei em quantos sentimentos estavam ali envolvidos, o constrangimento da mãe, a raiva da criança, e o que deve ter dado início a tudo isso, a tal da frustração.

Mas, afinal, o que é frustração?

Frustração é o sentimento que nos abate em decorrência da não realização de um desejo ou expectativa e, geralmente, vem de “mãos dadas” com muitos outros sentimentos, como a raiva e a tristeza. Apesar da frustração ser muito associada ao fracasso ou desilusão, ela é de extrema importância para o desenvolvimento emocional sadio.

Vivemos em uma era de imediatismos, rapidez e satisfação instantânea. Desde pequenas as crianças estão acostumadas a ter acesso a desenhos ilimitados em canais infantis e na internet, jogos ao alcance dos dedos em tablets e celulares, satisfação instantânea.

Lembram-se dos tempos de “outrora” quando tínhamos que aguardar, ansiosamente, pelos desenhos animados nos programas infantis matinais? Quando tínhamos que aguardar a visita de primos e amigos para termos com quem brincar com nossos jogos de tabuleiro, bonecos de ação ou para ter quem batesse a corda de pular no quintal de casa? Eram tempos em que recebíamos, diariamente, uma pequena dose de frustração! Aí está, a tal da frustração presente, desde cedo, em nossas vidas, não somente nos momentos de fracasso ou grande desilusão, mas em nosso cotidiano, nas pequenas ações diárias.

Como adultos sabemos que nem sempre poderemos ter o que desejamos, ou na velocidade em que desejamos, exigindo, muitas vezes, trabalho e dedicação para alcançarmos nossos desejos e objetivos. Assim, percebemos que as frustrações são parte inerente da vida adulta; conseguir encará-las e encontrar formas de lidar com o desconforto causado por elas são fundamentais para nosso crescimento interior e bem-estar emocional.

Na ânsia de ver nossos filhos felizes e realizados podemos acabar nos esforçando em atender a todos os seus desejos, acreditando que, ao negar-lhes algo, estaremos lhes causando sofrimento. Quando os pais tentam de todas as maneiras evitar qualquer tipo de sofrimento ou frustração da criança estão sendo imediatistas porque, poupando-os desse tipo de sofrimento, privam seus filhos de oportunidades de crescimento pessoal e de compreensão de mundo. O excesso de proteção pode, futuramente, resultar em adultos que não conseguem lidar com as frustrações cotidianas e adversidades da vida.

A cada situação de frustração vivenciada a criança aprende a encontrar uma forma de lidar com desconforto gerado pela negação do seu desejo, a perseverar em seus objetivos, a encontrar novos caminhos e superar adversidades. Nesse sentido podemos dizer que passar por situações de frustração abre espaço para desenvolver resiliência, também tão importante em nosso desenvolvimento social e emocional.

Pequenas doses de frustração são necessárias para que as crianças compreendam que a frustração faz parte da vida. Ao permitirmos que as crianças se frustrem algumas vezes contribuímos para que elas sejam adultos mais resilientes e compreensivos. O não é um ato de amor.

É comum que crianças pequenas chorem ou “façam birra” ao sentirem-se frustradas pelas primeiras vezes e sabemos como pode ser dolorido ver o sofrimento de uma pessoa querida por nós, mesmo quando sabemos a importância daquele momento. Voltando à imagem da criança no chão do supermercado reflito em quanto amor estava envolvido naquele “não” àquela criança, no esperar da mãe para que a criança se acalmasse e na conversa sobre os motivos de não poder levar o chocolate naquele dia.

Ao nos sentirmos apoiados quando nos frustramos, percebemos que “tudo bem” as coisas não saírem da forma que planejamos ou desejávamos, e “tudo bem” nos sentirmos tristes ou com raiva por conta disso.

Aprender, desde cedo, a buscar estratégias para lidar com o desconforto emocional que sentimos e encontrar formas de nos sentirmos melhor, mesmo em meio as adversidades é uma ferramenta importante, que pode ser uma poderosa aliada na hora de dizer não.

Lidar com os sentimentos desagradáveis é um dos pilares dos programas e cursos de Educação Emocional da ASEC.

Para saber mais, acesse: www.az.org.br

Paolitcha

Paola é professora, atuou durante 13 anos em turmas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, em escolas e instituições sem fins lucrativos. Desde 2014 atua  como Monitora Formadora de professores em Educação Emocional na ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças e como coordenadora do núcleo regional do Rio de Janeiro.

Você é empático sim!

menina empatica

Por: Neide Almeida

Vamos fazer um teste?

Você já salivou ao ver uma comidinha quente, cheirosa ou alguém saboreando um petisco apetitoso, anotou alguma receita da tv e guardou para fazer em um dia especial?

Quando você ouve uma notícia de catástrofe, você desliga a tv ou pede para parar quando uma pessoa conta algo violento?

Todas essas reações estão de alguma maneira ligadas à empatia, que é definida como “habilidade de se colocar no lugar do outro, de entender a partir da perspectiva dele, com os olhos dele”. É o ato criativo de ver as situações sob o ponto de vista do outro, entrar no mundo dele, ficar à vontade mesmo que não concorde com o que ele sente, e se isentar de emitir julgamentos.

Agora vamos pensar nos benefícios de uma conexão empática.

É bom quando alguém percebe nossas ações positivas, quando podemos falar dos nossos sentimentos, quando somos respeitados. E quando nos perguntam se queremos ajuda em algo, é bom quando o outro nos ajuda a pensar nas estratégias, mas sem dizer “faça isso ou aquilo”.

Nos sentimos bem quando pedimos mais uma explicação e ficamos à vontade para pedir mais uma vez, sem sermos alvo de censura ou ironia.

É bom quando ouvimos alguém querido dizer estar com saudades, quando recebemos um abraço e, quando em luto, mesmo sem tê-lo comunicado, que um abraço juntou nossos pedaços, ou quando recebemos algo que estávamos precisando seja material ou emocional, ficamos pensando… “Como é que ele(a) adivinhou?”

 A empatia nos ajuda a viver com mais leveza, suaviza nosso caminhar, seja ele qual for; é uma habilidade que podemos desenvolver, e fortalecer mais e mais à medida que praticamos na rotina do dia a dia. A empatia é como um jardim, no qual, independentemente da diversidade das flores e das intempéries do tempo, quanto mais entendemos e respeitamos a natureza de cada uma delas mais seremos assertivos nas podas e na rega, tendo como resultado o desfrutar do visual, dos aromas, de formatos, texturas, das diferentes flores que embelezam nossos olhos e alegram nossa alma.

A empatia nos mobiliza a ser solidários, a escutar, a interagir, reconhecer limites, comunicar, impor limites, ser tolerantes; e podemos nutrir para sermos cada vez mais empáticos ao longo da vida.

Convido-os a um exercício: olhe um pouco mais para a pessoa que está ao seu lado em casa, na rua, no trabalho na fila do supermercado, na praça, na sala de aula, na academia…  Amorosamente olhe… Perceba os olhos, cabelos, as marca que ela traz no rosto, o jeito de andar de falar, de sentar, se for muito diferente do seu jeito imagine-se com aquele jeito, imagine-se vestindo aquela roupa, imagine-se no lugar dela.  Ofereça algo, pergunte como ela está, se importe, sorria… uma saudação verdadeira, um sorriso, pode mudar a trajetória do dia, da semana, da vida dessa pessoa.

Se desde cedo as crianças desenvolverem sua capacidade de empatia, teremos adultos tolerantes, conscientes do efeito das suas escolhas, para si e para a sociedade, protagonistas da sua história, solidários. Educar uma geração a ser empática pode se transformar num fenômeno de massa trazendo uma mudança fundamental nas relações e no mundo.

No programa Amigos do Zippy crianças aprendem habilidades emocionais e sociais. Já na primeira aula começam a praticar, de maneira simples e lúdica, a empatia.

O desenvolvimento dessa fundamental habilidade é reforçado em inúmeras atividades, em que aprendem a acolher os seus sentimentos e os dos outros, passando pelas habilidades de comunicação tão valiosas para um convívio saudável, franco, apoiador de escolhas eficazes para se sentir melhor, e segue nos módulos seguintes aprendendo a gerenciar suas emoções em situações de conflitos, especialmente elaboradas para sua faixa etária, sempre apoiadas pelo professor especialmente capacitado pela ASEC.

Esse professor também tem a oportunidade de se perceber empático e de reforçar e compartilhar suas habilidades. E enquanto ele facilita o processo de cada aluno, percebe outras áreas sendo afetadas positivamente; e não é incomum, a reflexão com a conclusão pelo desejo de ter tido contato mais cedo com essas ferramentas e ter vivenciado um ciclo de aprendizagem de promoção de saúde integral, que fornece recursos para enfrentar os desafios da sua própria vida.

 neideNeide Almeida

Atuou por 7 anos no PróHosic em Taubaté no apoio à pacientes e familiares do Depto. de Oncologia e atuou no mesmo período no CVV – Centro de Valorização da Vida, no atendimento emocional à pessoa em crise. Há 10 anos atua  como Monitora Formadora de professores em Educação Emocional na ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças.

Pelo direito de ter quem nos escute

ouvindo c olhos

Por: Alessandra Calbucci

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória.

Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar.

Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória.

Mas acho que ninguém vai se matricular.”

Rubem Alves.

Vai me dizer que você não conhece alguém que diz: “eu tenho direito de falar o que eu penso” e, muitas vezes, diz uma série de coisas, sendo indelicado, grosseiro e não considerando que o que está dizendo pode ferir as pessoas?

Esse “direito” tem sido usado constantemente pelas pessoas como permissão para magoar, agredir e impor verdades como se fossem universais, porque elas entendem que o seu ponto de vista é o correto, e acreditam que têm sempre razão. É claro que todos podem expressar suas ideias, mas o direito de falar, não deveria ser acompanhado do dever de escutar?

Será que em alguns momentos nós também agimos desta maneira? E isso não significa que sejamos cruéis. Como todos os costumes, talvez nem tenhamos refletido sobre isso, porque simplesmente estamos seguindo a “onda do direito de falar”. Já viu discussões sobre política, futebol e religião que acabam em verdadeiras guerras?

Não? Então procure algum post no Facebook sobre esses temas e você se surpreenderá com desrespeito e ofensas. A vida virtual muitas vezes pode se assemelhar à vida real. Nessas discussões, amigos de infância podem brigar para sempre, parentes passarem a se evitar, pessoas que antes eram importantes serem excluídas do Facebook e da vida.

Nesse momento em que “falar muito e escutar pouco” parece que virou lei, observo que tem gente demais falando e gente de menos escutando.

E qual o resultado disso? As pessoas se afastam emocionalmente. Porque grande parte das vezes, precisamos de alguém para nos escutar e não para falar mais do mesmo.

Você já parou para pensar se suas palavras afastaram alguém importante da sua vida? E você, já se afastou de alguma pessoa por ter considerado que a fala dela foi inadequada?

Na maioria das vezes o que ela pensa, você já sabe. E ela também sabe o que você pensa.

A dúvida é se você ou o outro tem a capacidade de, realmente, escutar.

Veja bem, estamos falando aqui sobre a palavra ESCUTAR. Não simplesmente ouvir. Ouvir quase todo mundo é capaz.

Escutar significa prestar atenção no outro, entender o que ele está dizendo, perceber seus sentimentos e poder compreender seu ponto de vista mesmo quando diferente do seu.

Qual a pessoa que você procura quando quer conversar, quando precisa de ajuda? Qual a sua relação mais prazerosa? Com quem gosta realmente de estar? Com pessoas que só falam, que dizem o que “dá na telha”, ou com as que escutam você?

Escutar é um dos caminhos para ter INTIMIDADE com outras pessoas. E intimidade é o antídoto para a SOLIDÃO. Escutar permite que uma pessoa consiga se colocar no lugar do outro. Isso se chama empatia. E a empatia nos aproxima.

Não importa quantos relacionamentos você tem, a quantidade não faz com que você se sinta menos solitário.

Se você tiver apenas um relacionamento íntimo, em que há espaço para a fala cuidadosa, gentil, com o intuito de ajudar um ao outro e uma escuta acolhedora, atenta, isso poderá contribuir para que a solidão se afaste de você.

Por esse motivo, pode ser importante cuidar do que falamos, treinarmos a escuta e tentarmos compreender com o coração o que o outro está dizendo, se não quisermos afastar as pessoas.

Se você se sente mal com as palavras ou a forma que o outro está falando com você, que tal avisá-lo que você está se sentindo desrespeitado, e que não está gostando da conversa?

E se isso não adiantar… Meu amigo, respeite o meu direito de ir buscar alguém que me escute de verdade.

Foto Ale

Alessandra é Psicóloga e coach há 20 anos e é apaixonada pelo universo emocional da mulher. Realiza workshops, palestras e psicoterapia em grupo com esse enfoque, além de atuar na ASEC como monitora, capacitando educadores em saúde emocional de crianças.

Problemas ou Soluções. Onde está seu olhar?

menina pensativaPor: Valdene Fraga

 

Muitas pessoas não pensam sobre as estratégias que usam. Esclarecer isso pode ajudar a termos mais clareza sobre quando o processo de escolha de estratégias começa e como funciona. E uma vez identificado esse processo, ele pode ser alterado.

Ouso dizer que as soluções das questões que nos incomodam estão no problema.

Você já pensou por que nos aprisionamos nas dificuldades/problemas que, muitas vezes, roubam nossa energia de vida?

Sabe aquele mal-estar, sentimento que informa que estamos girando em círculo, patinando na encrenca que se apresenta, sem vislumbrar saídas?

Após esforços, saímos da encrenca, usando os recursos de que dispúnhamos naquele momento (pensamentos, atitudes, ações, com ou sem ajuda externa)… que alívio, a crise passou!

Acontece que vira e mexe, diante das muitas demandas que nos mobilizam, nos vemos, de novo, presos numa nova encrenca que se apresenta.

Ops! Será que o padrão se repete?

Isso tem base bem fundamentada, pois a intenção do nosso mecanismo é “boa”. Trata-se de uma adaptação evolutiva que nos ajuda a evitar perigos e a reagir de forma mais rápida a situações de crise.

Esse é um convite para chacoalhar os conceitos sobre como é o seu olhar para as dificuldades e ampliar a busca de novas estratégias.

Pressupõe-se que uma determinada forma de resolver o problema é uma “habilidade” que se adquiriu. Um jeito de reagir, que foi se assentando, por meio de escolhas que funcionaram em dado momento.

Ficamos satisfeitos e “bingo!” Nosso cérebro sequioso de bem-estar, como que arquiva esse jeito de responder, e o usa como referência para outras situações.

Passamos a generalizar o uso de respostas que funcionaram para situações similares. Ficamos acomodados, não percebemos que a experiência é nova a cada situação e pede estratégias atualizadas.

Ao aceitar que tomamos como “habilidades” a forma de repetir soluções para resolver problemas, podemos perceber que é possível aprender uma habilidade diferente: “focar em soluções”.

Inverte-se a postura para “buscadores de soluções”. O bem-estar que tal atitude, conectada com a ação, promove no nosso estado emocional ancora sentimentos de confiança, autoestima e capacidade.

Esse olhar ativo e o treino constante em “soluções”, promove a “habilidade” e deixa para trás o que não serve mais: “o peso do problema”.

Imagine-se como uma criança aprendendo a ser buscador de soluções, consciente dos sentimentos envolvidos, como valor de saúde integral. Em ambiente solidário, acolhedor e que facilita experimentação.

O programa Amigos do Zippy, promove ambiente e treino cuidadoso junto aos professores no desenvolvimento destas habilidades em crianças.

Quer conhecer a ASEC e os programas que desenvolve? Em nosso Site www.asecbrasil.org.br, você poderá analisar os benefícios.

Considere que sua escola pode ter o diferencial de promover Saúde Emocional como um caminho para a melhoria do futuro de nossas crianças.

 

foto Val peq

Valdene Fraga

Psicóloga formada pela Universidade Braz Cubas com especialização em Programação Neurolinguística, Gestalt Terapia e Psicodrama. Atuou em várias empresas em Recursos Humanos na formação de colaboradores, orientação profissional Individual e em grupos. E é Monitora habilitada em Formação de Docentes para desenvolvimento de competências sócio emocionais, pela ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças, desde 2006.

 

 

 

Você tem uma vida plena e feliz?

 

bem estarPor: Katia Negri

“É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração”, já dizia Vinícius de Moraes! Com toda a admiração e respeito ao poeta, gostaria de perguntar: Será mesmo que é melhor ser alegre que ser triste, e que a alegria é a melhor coisa que existe? Parece uma pergunta tola e sem sentido não é mesmo? Mas, vale a pena refletir um pouco sobre as mensagens que recebemos desde a infância a respeito dos nossos sentimentos e dos padrões que algumas vezes são impostos a nós.

Recentemente encontrei um álbum de fotografias antigas, e ao folheá-lo me deparei com meu rosto de menina, e com um sorriso forçado e espremido no canto da boca. Então, me lembrei da minha mãe, na hora de tirar o retrato, dizendo: “Cadê o sorriso”? E nós, para embelezar a foto e eternizar o momento feliz (mesmo que não fosse tão feliz assim) mostrávamos os dentes para agradá-la! Guardar a imagem das suas três menininhas sorrindo era intenção da minha mãe e eu a agradeço por isso, pois hoje temos nossas recordações de infância, que inclusive estão me inspirando para redigir este texto.

Mas, observando aquelas fotos me dei conta que mostrar felicidade ao mundo parece uma espécie de obrigação, você já notou? E hoje, me pergunto se o sorriso amarelo e forçado da infância não se reflete nas famosas “selfies”, nas respostas: “tudo bem comigo” (mesmo quando tudo vai mal), e no velho hábito de vestir a “máscara da felicidade”.

Sentir alegria sem dúvida é muito prazeroso e agradável, ao passo que sentir tristeza nos traz desconforto, concorda? Então, se pudéssemos escolher afastaríamos a tristeza e ficaríamos somente com as boas sensações que a alegria provoca em nós!

Mas, isso não é possível e essa é uma boa notícia, acredite! Sempre que sentimos tristeza ou qualquer outro sentimento que nos incomoda, como raiva, angústia, medo, entre outros, significa que estamos diante de algo que é percebido por nós como ameaçador e os nossos sentimentos surgem para sinalizar isso. Quer alguns exemplos? Perder alguém que amamos pode ser percebido por nós como uma ameaça, não ser reconhecido por um trabalho que desempenhou pode ameaçar nossa autoestima, e por aí vai….. E isso inclui não somente situações reais, mas também lembranças e pensamentos. Você já se sentiu triste ao lembrar de alguma situação que aconteceu no passado?

Desta forma, se estivermos atentos aos sinais (nossos sentimentos), podemos nos conhecer melhor, e um bom começo é respeitarmos e compreendermos que os sentimentos são naturais e, portanto, não podemos controlá-los ou  escolhê-los! Reconhecê-los e identificá-los é o primeiro passo no caminho do autoconhecimento para uma vida mais saudável emocionalmente.

Agora, imagine se ao longo da vida evitamos entrar em contato com as nossas dores e tristezas? O que você acha que pode acontecer? Com o passar do tempo é possível que nos distanciemos de nós mesmos, das nossas verdades, daquilo que sentimos de fato, para aparentar aquilo que é esperado socialmente.

Quando estamos atentos às nossas emoções e necessidades, podemos fazer algo para aliviar quando surgir um sentimento que provoque desconforto. Sempre podemos fazer algo para cuidar de nós mesmos e nos sentirmos melhor! Tomar um café, um banho quente, conversar com alguém, dormir, chorar…. Tudo aquilo que pode nos ajudar a aliviar nossos sentimentos e que não tenha conseqüências negativas é válido! O que você faz para se sentir melhor quando está triste, por exemplo?

Você sabia que é possível aprender esse tipo de autocuidado de forma sistematizada desde a infância? Por meio dos programas de Educação Emocional, as crianças e os jovens desenvolvem habilidades emocionais e sociais, e ficam mais abastecidos e instrumentalizados para a vida! Fica aqui o convite para que você possa conhecer os programas Amigos do Zippy e Passaporte: Habilidades para a Vida: acesse nosso portal www.asecbrasil.org.br. Vamos investir na Educação Emocional dos pequenos!

E para terminar, como disse o mestre Vinícius, “a alegria é como a luz no coração”, mas a tristeza, o medo, a angústia, o amor, a raiva, e todos os outros sentimentos fazem parte de nós, e são importantes. Reconhecer isso contribui para uma vida plena, com mais Saúde Emocional e, portanto, mais feliz também!

De Mãos dadas

MaosDadasComFlor1Por: Irmãos M. C.

– Ei, você, pode me ouvir? Gostaria de compartilhar reflexões.

– Sim, pois não.

– Que bom! Antes de tudo quero que saiba que não trago verdades, apenas me coloquei a refletir e a sonhar!

– Sim.

– Sonho com o dia em que o egoísmo e o altruísmo caminharão lado a lado, juntos, de mãos dadas.

– Será? Ao que me consta ser egoísta é pensar somente em si, em detrimento de outros. Ser altruísta é exatamente o oposto, é pensar nos outros e em suas necessidades. Como duas coisas opostas podem se encontrar?

– Eu me explico! Falo de uma face do egoísmo, se é que isso seja possível. Da face do cuidar de si, de atender as próprias necessidades. E o quanto esta atitude também o é, em sua essência altruísta. Confuso?

– Parece, me explique mais.

– Pergunto: quem convive continua e ininterruptamente comigo mesmo?

– Ora, você mesmo.

– Então, não é natural o zelo por mim? Não é natural me cuidar?

– Sim, não posso negar.

– E ao zelar, me cuidar, identifico necessidades, simples, complexas, nobres, espúrias, vazias, físicas, emocionais. Entendo que é doloroso demais sofrer, adoecer, me ferir. Daí dedico atenção a mim mesmo, atendo minhas necessidades e desejos, sejam de que natureza forem.

– Estou entendendo. Por favor, continue.

– Esse afã comigo mesmo não poderia ser categorizado como uma atitude altruísta? Quando me cuido, atendo minhas demandas, não delego a outros cuidar de minhas dores e lhe causar sofrimentos e isto não é oferecer ao meio onde vivo o meu melhor?

– Sim.

– Cuidada e acolhida em minhas necessidades percebo também que somente conseguirei de fato estar bem, segura e atender ao que me é necessário se o mundo em que vivo contribua para tal intento. Então, acaba por ser fundamental eu auxiliar no bem maior, no bem comum, no apoio a outros para que suas demandas também sejam atendidas. Quando, cada um de nós colabora para um mundo melhor, o mundo pessoal de cada um também melhora.

– Interessante. É uma ação conjunta. Muitas ideias a se pensar. Um sonho, não?

– Sim, o sonho da reconciliação!

– Reconciliação, como assim?

– Exatamente. Quando olho para mim e me pego no colo, contribuo comigo, não delego aos outros a dolorosa tarefa de me curar, posto impossível. Isso é também altruísmo. Posso também aceitar o auxílio de outros e posso também, quanto mais inteira estou, ir ao socorro de muitos. Estranho, mas parece que auto amor e o amor por outros são duas faces da mesma moeda. Cada um entendendo que amar, em última instância, significa amar o outro.

– Me perdi, não falavas sobre amar a si mesmo.

– Isso é um binômio, pois a almejada felicidade não acontece em duas dimensões, dentro de nós ou fora de nós. É um fenômeno multidimensional, acontecendo na plenitude do ser, por onde quer que ele se manifeste. Qualquer um caminhando em plenitude, dará o seu melhor a favor de si e dos outros.

– Fale um pouco mais.

– Acho que há uma lição, ensinada há séculos, que resume tudo isso: Amar ao próximo como a ti mesmo!

Nesse momento, com espanto, o interlocutor olhou no fundo de seus olhos no espelho.

Irmãos M. C.

Ele é advogado, ela é psicóloga e ambos gostam de conviver, conversar e refletir sobre a vida.